Este restaurante algarvio serve um dos melhores peixes da região. Mas há uma corda dourada que ninguém esquece

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Quem chega pela primeira vez ao restaurante A Nora, nas Ferreiras, em Albufeira, pode estranhar a cena. À entrada, um cordão dourado impede os clientes de avançarem para o interior. A explicação é simples: ali ninguém entra até a Dona Graça dizer que chegou a sua vez.

A proprietária adotou esta solução há vários anos para evitar que os clientes aguardassem no interior do restaurante, perturbando quem já está à mesa. Assim, todos esperam no exterior até que o cordão se abra. Isto se não quiserem cair em desgraça.

Ainda assim, nem todos resistem à tentação. Há sempre quem tente espreitar, dar um passo em frente ou entrar “só para ir ali…” fazer não se sabe bem o quê, mas que na verdade é para confirmar se não há mesas vazias ou se está gente a pedir a conta – quem nunca? Mas os clientes habituais já sabem como funciona. O melhor mesmo é estar quieto, equanto se saboreia o cheiro a carvão e peixe assado que sai do grelhador.

A Dona Graça mantém a regra, o marido, Aníbal, e o filho, Pedro, sorriem e a corda dourada acabou por se tornar uma das imagens de marca da casa. É uma curiosidade que muitos recordam certamente, mas não é isso que enche diariamente o restaurante.

Um restaurante onde o protagonista continua a ser o peixe

A Nora é um daqueles restaurantes algarvios que nunca precisou de seguir modas. Não há cozinha de autor, pratos desconstruídos ou apresentações elaboradas. Aqui, o objetivo continua a ser o mesmo desde sempre: servir bom peixe grelhado, acompanhado por uma dose de dois dedos de conversa quando há tempo.

A vitrine apresenta diariamente várias opções de peixe fresco, entre elas sardinhas, douradas, robalos, barrigas de atum e outras espécies da costa algarvia. Há ainda amêijoas, berbigão, mais algum marisco de ocasião e entradas tradicionais que completam a refeição.

Para quem prefere carne, existem algumas alternativas, como lagartinhos, grelhada mista ou um generoso chuletón para partilhar. Ainda assim, a maioria dos clientes vai ali pelo peixe.

As sardinhas merecem um destaque especial. São, na nossa opinião, das melhores que se podem comer na região de Albufeira, sempre bem grelhadas e servidas de forma simples, sem complicações. Para acompanhar, Gaspacho, sempre e em particular nos dias mais quentes de verão.

Um ambiente descontraído, como manda o Algarve

A atmosfera acompanha o espírito da casa. É um restaurante sem formalismos, onde ninguém estranha ver clientes acabados de chegar da praia, de chinelos e calções, denunciados pela areia esquecida nos tornozelos.

Mais do que um restaurante turístico, A Nora continua a ser um espaço muito frequentado por residentes e clientes sazonais do resto do país. Basta olhar em redor para perceber que muitos são tratados pelo nome e que os proprietários conhecem boa parte das pessoas que entram.

Essa proximidade acaba por criar um ambiente difícil de encontrar em zonas mais turísticas do Algarve.

As paredes contam a história da casa

Enquanto espera pela refeição, vale a pena levantar os olhos das mesas. As paredes estão cobertas por dezenas de cachecóis de clubes de futebol, muitos deles oferecidos por clientes ao longo dos anos. Pelo meio encontram-se também várias placas decorativas trazidas das viagens que os proprietários fazem aos Estados Unidos.

Acrescentam-se algumas fotografias e o resultado é uma decoração muito pessoal, que faz o restaurante parecer uma extensão da casa dos proprietários e lhe confere uma identidade própria. Ficámos a saber que todos os objetos expostos são retirados um a um para limpeza – uma informação que cansa só de imaginar.

Quanto custa uma refeição?

Os preços continuam a ser um dos pontos fortes e estava a ver que nunca mais chegávamos aqui, não era? Pois bem, uma refeição ronda normalmente os €20 por pessoa, dependendo do peixe escolhido. Na nossa visita, gastámos €24 por pessoa, incluindo sardinhas, uma costeleta que dá para dois, cervejas ,sobremesa, café e aguardente de medronho – só para duros.

Tendo em conta a qualidade do peixe e as doses servidas, continua a oferecer uma boa relação entre qualidade e preço. Se for para a carta de vinhos, claro está, o preço oscila.

Chegar cedo é regra

Durante o verão, encontrar mesa pode não ser tarefa fácil. A fila começa a formar-se às 19h30, meia hora antes de começarem a ser servidos os jantares. Em julho e agosto costuma ter alguns metros.

E isso significa apenas uma coisa: esperar pacientemente que a Dona Graça abra a famosa corda dourada. No espaço A Nora, a refeição começa muito antes de chegar à mesa.

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Notícia www.aproximaviagem.pt

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