“Uma toalha encharcada em sangue” e uma morte: agente de viagens conta dois casos, um deles com Sérgio Rossi
Natalie Lopes conta no Põe-te a Milhas dois imprevistos vividos com clientes: um em Marraquexe e outro numa viagem ligada a Sérgio Rossi.
Uma cliente ferida no quarto de um hotel em Marraquexe e uma mulher que recebeu, em Cuba, a notícia da morte do pai e teve de regressar antecipadamente a Portugal. São dois dos imprevistos que Natalie Lopes, CEO da Four Seasons Viagens e Turismo, recordou no mais recente episódio do podcast Põe-te a Milhas.
O primeiro aconteceu há mais de dez anos, quando acompanhava cerca de 60 pessoas numa viagem a Marrocos. O segundo ocorreu há cerca de dois anos, durante uma viagem dos 25 anos de carreira de Sérgio Rossi, e obrigou a agência a organizar à distância o regresso de uma das participantes.
“Eu já tenho, eu tenho muitas histórias para contar e com muitos clientes, porque às vezes as coisas acontecem quando nós menos esperamos e vamos sempre pensar que nunca nos vai acontecer connosco e acontece”, conta a agente de viagens.
“Uma toalha cheia de sangue, mas assim encharcado em sangue”
A primeira história aconteceu em Marraquexe. Natalie Lopes tinha levado cerca de 60 pessoas numa viagem a Marrocos e o grupo acabara de chegar à cidade, onde iria passar três noites. Era a primeira noite quando, já depois da uma da manhã, um dos clientes apareceu no lobby do hotel.
“Desce-me no elevador o cliente com uma toalha cheia de sangue, mas assim encharcado em sangue, desesperado”, recorda.
O homem, com mais de 65 anos, não falava francês e estava com dificuldades em comunicar com a receção. A mulher tinha sofrido um acidente no quarto depois de se levantar e ir à casa de banho às escuras.
“A senhora tinha a garrafa de água por trás. Ela foi às escuras e conforme puxa a garrafa de água, o copo caiu para o chão, fez um ricochete, abriu-se e cravou-lhe nas pernas. Portanto, a senhora ficou toda cortada na perna”, relata.
O marido tinha descido à receção à procura de ajuda e acabou por encontrar a agente de viagens no lobby.
O médico tratou a cliente no próprio hotel
Perante a situação, Natalie Lopes acionou imediatamente o seguro e entrou em contacto com um médico. Foram enviadas fotografias dos ferimentos para que este soubesse antecipadamente aquilo que iria encontrar.
“Liguei para o seguro na hora eh a cliente nem sequer saiu do hotel”, conta. O médico acabou por deslocar-se ao hotel, evitando que a mulher tivesse de sair para receber assistência. “Veio o médico e fez-lhe microcirurgia e cozeu fez aquelas coisinhas todas ali. A senhora nem sequer saiu do hotel e eu sei que ela até hoje nunca mais se esqueceu disso”, Lembra.
A história surge no Põe-te a Milhas precisamente durante uma conversa sobre os motivos que levam algumas pessoas a sentirem-se mais seguras numa viagem de grupo. Quando existe um imprevisto num país estrangeiro, questões tão simples como não dominar a língua podem tornar uma situação difícil ainda mais complicada.
“A barreira da língua é sim é um dos maiores fatores”, reconhece a CEO da Four Seasons Viagens.
Uma morte durante uma viagem dos 25 anos de carreira de Sérgio Rossi
A segunda história aconteceu em Cuba e teve contornos completamente diferentes. A Four Seasons Viagens tinha organizado uma viagem dos 25 anos de carreira de Sérgio Rossi, mas desta vez não foi Natalie Lopes quem acompanhou o grupo. Essa responsabilidade ficou a cargo de Jéssica, da agência.
Durante a viagem, Natalie recebeu em Lisboa o telefonema da filha de uma das participantes. O pai da cliente tinha morrido em Portugal e era necessário dar-lhe a notícia e encontrar uma forma de a fazer regressar rapidamente.
“Eh, e tivemos uma situação em que a filha ligou para mim, eh, de uma das senhoras que estava lá, ligou para mim, eh, a dizer que o avô tinha falecido e eu não conseguia falar com a cliente, portanto, e eu falei com a Jéssica e acredita que fez toda a diferença ela receber aquela notícia àquela hora pela Jéssica que o pai tinha falecido.”
A participante encontrava-se em Varadero, mas o voo partia de Havana. A partir de Lisboa, a responsável tratou do necessário para que a mulher pudesse regressar no dia seguinte e estar presente nas cerimónias fúnebres.
De Varadero a Havana para não fazer a viagem sozinha
Organizar o voo foi apenas uma parte do processo. Jéssica deixou temporariamente o grupo e acompanhou a cliente de táxi entre Varadero e Havana, uma viagem que Natalie Lopes estima em cerca de duas horas.
“A Jéssica acompanhou a cliente em todo o processo, portanto ela teria que vir sozinha, hum, teria que fazer aquela viagem toda sozinha.” No aeroporto, ajudou-a a fazer o check-in, tratou da bagagem e permaneceu com ela até ao embarque. Só depois regressou para junto do restante grupo.
“Ela teve sempre acompanhada por alguém da agência e depois a Jéssica voltou para trás. Eh, pronto, neste caso, e, e eu acho que esse tipo de serviço e são coisas que tu nunca mais na tua vida te vais esquecer, percebes?”
São situações extremas, mas que ajudam a explicar um dos temas centrais abordados durante a entrevista: para alguns viajantes, optar por um grupo não tem apenas a ver com ter um programa organizado ou companhia para conhecer um destino. A segurança de ter alguém a quem recorrer quando alguma coisa corre mal também pesa na decisão.
Duas histórias entre muitas no Põe-te a Milhas
As duas situações são apenas alguns dos episódios recordados por Natalie Lopes, CEO da Four Seasons Viagens, durante a conversa no Põe-te a Milhas.
Ao longo do episódio, a agente de viagens fala também sobre a mudança do perfil de quem escolhe viagens de grupo, os desafios de acompanhar dezenas de pessoas, o last minute, a importância da antecedência na compra das férias, os destinos que estão a ganhar procura e as reservas que já estão a ser feitas para 2027.
O episódio completo do Põe-te a Milhas está disponível no Spotify e Apple Podcasts ou aqui: