Há uma razão muito séria para pilotos e copilotos nunca comerem a mesma refeição
Muitos pilotos e copilotos evitam comer a mesma refeição durante um voo. Descubra porquê e como esta prática ajuda a aumentar a segurança da aviação.
Quando embarca num avião, aquilo que a tripulação vai comer durante o voo não é uma das preocupações de um passageiro. No entanto, há um detalhe curioso que faz parte dos procedimentos de segurança de muitas companhias aéreas: sempre que possível, comandante e copiloto evitam comer exatamente a mesma refeição.
À primeira vista, pode parecer apenas uma preferência ou uma tradição. Mas a explicação é bem mais importante e está diretamente relacionada com a segurança de todos os passageiros.
O objetivo é evitar que os dois pilotos fiquem doentes ao mesmo tempo
A principal razão é reduzir o risco de uma intoxicação alimentar afetar simultaneamente os dois pilotos. Se ambos consumissem exatamente a mesma refeição e esta estivesse contaminada por uma bactéria, vírus ou outro agente patogénico, existiria a possibilidade de desenvolverem os mesmos sintomas ao mesmo tempo.
Numa situação extrema, dores intensas, vómitos ou diarreia poderiam comprometer a capacidade de ambos para operar a aeronave. É precisamente para evitar este cenário, por mais improvável que seja, que muitas companhias adotam esta prática.
Não é uma lei, mas é uma prática muito comum
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não existe uma regra internacional que obrigue todos os pilotos a comer refeições diferentes.
Trata-se antes de um procedimento operacional seguido por muitas companhias aéreas. Algumas exigem que comandante e copiloto escolham pratos diferentes, enquanto outras fazem apenas essa recomendação. O princípio, porém, é sempre o mesmo: evitar um ponto único de falha que possa afetar quem está aos comandos do avião.
Esta filosofia faz parte da chamada redundância, um dos pilares da segurança na aviação. Sempre que possível, procura-se garantir que um único problema nunca afete todos os sistemas ou todas as pessoas essenciais ao voo.
Em algumas companhias nem sequer comem ao mesmo tempo
Algumas transportadoras vão ainda mais longe nesta matéria. Além de servirem refeições diferentes aos pilotos, optam por fazê-lo em momentos distintos. Desta forma, se um dos pilotos começar a sentir-se indisposto pouco depois de comer, o outro continua apto para assumir sozinho o controlo da aeronave.
Há também companhias que aconselham os pilotos a evitar determinados alimentos antes de um voo, sobretudo refeições cruas ou com maior risco de contaminação.
Uma precaução para um problema raro
Os casos de intoxicação alimentar em pilotos são pouco frequentes, mas continuam a acontecer ocasionalmente. Recentemente, um copiloto da British Airways sentiu-se mal durante um voo entre Hyderabad, na Índia, e Londres, alegadamente devido a uma intoxicação alimentar.
A aeronave conseguiu completar a viagem porque havia outros pilotos qualificados a bordo, mas o episódio voltou a recordar a importância destes protocolos preventivos.
A segurança começa muito antes da descolagem
Quem viaja de avião vê apenas uma pequena parte do trabalho realizado pela tripulação. Por trás de cada voo existem centenas de procedimentos destinados a reduzir riscos, mesmo aqueles que parecem altamente improváveis.
Desde as inspeções técnicas ao descanso obrigatório das tripulações, passando pela escolha das refeições no cockpit, tudo é pensado para garantir que, se alguma coisa correr mal, existem sempre alternativas.
É por isso que um gesto aparentemente tão simples como escolher pratos diferentes pode fazer parte da estratégia que ajuda a manter a aviação entre os meios de transporte mais seguros do mundo.