Há um lugar em Portugal onde pode ver o eclipse com yoga, DJ e uma noite debaixo da Via Láctea

Do yoga em Fajão ao concerto na Lourinhã, conheça vários locais do Centro de Portugal preparados para observar o eclipse solar de 12 de agosto.

Há um lugar em Portugal onde pode ver o eclipse com yoga, DJ e uma noite debaixo da Via Láctea

O eclipse solar de 12 de agosto vai transformar o final da tarde num momento pouco habitual em Portugal. No Centro do país, onde mais de 90% do disco solar ficará ocultado em vários territórios, multiplicam-se as iniciativas para acompanhar o fenómeno.

Há observações através de telescópios, sessões de planetário, um piquenique, música ao vivo e até uma experiência que começa com uma caminhada e só termina depois de uma noite debaixo da Via Láctea.

É em Fajão, no concelho da Pampilhosa da Serra, que acontece uma das propostas mais completas. O Geoscope – Observatório Astronómico de Fajão recebe uma experiência que junta natureza e astronomia e que não termina quando o Sol desaparece no horizonte.

A data é particularmente especial porque o eclipse acontece numa altura próxima do pico das Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais conhecidas do ano. Assim, depois de observar o Sol parcialmente ocultado pela Lua, será possível continuar a olhar para o céu durante a noite.

Em Fajão, a experiência começa com uma caminhada

A proposta das Aldeias do Xisto começa com uma caminhada de baixa dificuldade até ao Geoscope – Observatório Astronómico de Fajão. Já no observatório, os participantes poderão acompanhar o eclipse solar, perceber melhor o fenómeno e explorar também a componente de fotografia.

Mas o programa não fica por aqui. A tarde inclui ainda uma sessão de yoga à sombra da Lua e um sunset com DJ. Segue-se uma refeição volante e, quando a escuridão tomar conta do céu, começa uma segunda experiência astronómica.

Depois do eclipse chegam as Perseidas, Saturno e a Via Láctea

A noite no Geoscope será aproveitada para observar as Perseidas e Saturno através de telescópio. Está igualmente prevista uma sessão fotográfica sob a Via Láctea, aproveitando as condições de reduzida poluição luminosa desta zona do interior do país.

É precisamente essa combinação entre eclipse, natureza e céu noturno que transforma Fajão numa das propostas mais diferentes para acompanhar o fenómeno de 12 de agosto.

Na Serra da Estrela há telescópios preparados para observar o Sol

Na região da Serra da Estrela, o Observatório Astronómico de Travancinha, no concelho de Seia, organiza uma sessão especial de observação segura do eclipse.

Serão utilizados telescópios equipados com filtros solares certificados, permitindo acompanhar o fenómeno sem olhar diretamente para o Sol.

A iniciativa contará ainda com um telescópio solar H-alfa. Este tipo de equipamento permite observar características da atividade solar que não são visíveis através de um telescópio convencional equipado apenas com um filtro de luz branca.

Além da observação, a sessão terá uma componente de divulgação científica destinada a explicar os fenómenos associados ao eclipse.

Em Castro Daire, o Sol ficará cerca de 98,1% ocultado

Outro dos locais destacados para acompanhar o eclipse encontra-se em Castro Daire. O Penedo do Cavaleiro, na Pombeira, em Lamelas, será o cenário de uma experiência que combina divulgação científica e observação da paisagem.

O programa inclui uma sessão de interpretação do eclipse antes da observação propriamente dita. A localização é particularmente interessante devido à elevada percentagem de ocultação prevista. Neste ponto do território, cerca de 98,1% do Sol ficará ocultado pela Lua.

O momento acontecerá praticamente em simultâneo com o pôr do sol, permitindo acompanhar as fases finais do eclipse a partir de um dos miradouros naturais do concelho.

Constância distribui óculos para observar o eclipse

Também o Centro Ciência Viva de Constância preparou um programa específico para 12 de agosto. Os visitantes poderão observar o eclipse de forma segura através de telescópios preparados para observação solar.

O programa prevê igualmente a distribuição de óculos certificados para a observação do fenómeno. E a atividade não termina quando o Sol se põe. Depois do eclipse haverá uma sessão dedicada à observação do céu noturno, prolongando a experiência astronómica pela noite.

Na Covilhã, o eclipse chega ao planetário

Quem quiser perceber melhor o que está realmente a acontecer no céu terá outra possibilidade na Covilhã. O Centro Interativo de Ciências da Universidade da Beira Interior apresenta uma sessão especial do planetário imersivo “3CLIPSE”.

A sessão é dedicada à explicação científica dos eclipses solares e aborda também uma circunstância astronómica particularmente rara que envolve a Península Ibérica.

Portugal e Espanha encontram-se no centro de uma sequência de três eclipses solares consecutivos visíveis na Península entre 2026 e 2028, fenómeno que ficou conhecido como o “trio ibérico” de eclipses. O primeiro acontece já a 12 de agosto de 2026.

Penamacor propõe um piquenique à luz do eclipse

Em Penamacor, a proposta troca o ambiente de um observatório por um miradouro da raia beirã. A iniciativa recebeu um nome que explica praticamente todo o conceito: “Piquenique à Luz do Eclipse”.

A ideia é acompanhar o fenómeno enquanto se desfruta da paisagem e dos sabores locais, transformando a observação do eclipse numa experiência ligada também ao território.

O cenário escolhido permitirá acompanhar o final da tarde num dos pontos do interior do Centro de Portugal onde o fenómeno terá uma expressão particularmente significativa.

Em Arruda dos Vinhos haverá observação a partir de um moinho

O Observatório do Moinho de Cardosas, em Arruda dos Vinhos, também preparou uma programação especial. Os visitantes poderão acompanhar o eclipse através de equipamentos adequados à observação solar e com acompanhamento especializado.

A iniciativa inclui ainda uma exposição dedicada ao fenómeno e uma sessão de perguntas e respostas, permitindo esclarecer dúvidas sobre o que acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol.

O programa termina com a observação do pôr do sol a partir do miradouro de Cardosas, acompanhando assim os últimos instantes do eclipse.

Na Lourinhã haverá um concerto durante o eclipse

No Oeste, a Lourinhã escolheu juntar astronomia e música. O Concerto Sunset-Eclipse Ramdon decorrerá junto ao Palco da Foz e está integrado nas comemorações do Dia Internacional da Juventude.

A proposta é acompanhar o eclipse ao som de música ao vivo, aproveitando o facto de o fenómeno acontecer durante o final da tarde e se prolongar até perto do pôr do sol.

Será, por isso, uma das alternativas para quem pretende assistir ao eclipse num ambiente mais informal e de celebração, em vez de participar numa sessão exclusivamente dedicada à astronomia.

O Centro de Portugal terá mais iniciativas

Estas são apenas algumas das ações previstas na região para 12 de agosto.  Municípios, centros Ciência Viva, observatórios astronómicos, associações e empresas ligadas ao turismo de natureza prepararam atividades em diferentes pontos do Centro de Portugal.

A região beneficia de vários territórios com reduzida poluição luminosa, sobretudo nas áreas do interior, uma característica que permite combinar a observação do eclipse ao final da tarde com atividades de astroturismo depois do anoitecer.

A lista de iniciativas previstas em Portugal pode ser consultada na plataforma oficial dedicada ao Eclipse 2026.

Porque este eclipse é tão especial?

O eclipse solar de 12 de agosto será visível em Portugal Continental, embora com diferentes níveis de ocultação consoante a localização.

No Centro de Portugal, a Lua chegará a cobrir mais de 90% do disco solar em vários locais. Em Castro Daire, por exemplo, a ocultação prevista ronda os 98,1%.

Portugal Continental não assistia a um eclipse solar total desde 1912 e só voltará a estar na faixa de totalidade de um eclipse em 2144. Em 2026, contudo, a totalidade será observável apenas numa faixa específica do território, enquanto grande parte do país assistirá a um eclipse parcial muito profundo.

Há ainda outra coincidência astronómica: o fenómeno acontece na altura das Perseidas, cuja atividade atinge o máximo por estes dias de agosto.

Isso significa que, escolhendo um local com pouca poluição luminosa, a experiência poderá começar com o eclipse ao final da tarde e continuar, algumas horas depois, com a observação do céu noturno.

Óculos de sol não servem para ver eclipse

Há uma regra que não pode ser esquecida: nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção solar apropriada, mesmo quando grande parte do disco solar está escondida pela Lua.

Óculos de sol convencionais não oferecem proteção adequada para observar um eclipse. Também não devem ser utilizadas radiografias, vidros escurecidos ou outras soluções improvisadas.

Para observação direta devem ser usados óculos próprios para eclipses e destinados à observação solar.

O mesmo princípio aplica-se a câmaras fotográficas, telescópios e binóculos. Estes equipamentos necessitam de filtros solares adequados instalados à frente da objetiva. Olhar para o Sol através de um instrumento ótico sem proteção apropriada pode provocar lesões oculares graves e também danificar equipamento fotográfico.

Participar numa das sessões organizadas por observatórios, centros Ciência Viva ou outras entidades especializadas é uma das formas de acompanhar o fenómeno com equipamento preparado para observação solar.

Onde consultar todas as iniciativas

A programação nacional pode ser consultada na plataforma oficial Eclipse 2026, que reúne as ações previstas em diferentes regiões do país.

Além das iniciativas no Centro de Portugal, existem eventos de observação organizados noutros pontos do território, incluindo locais próximos da faixa onde o eclipse atingirá a totalidade.

Notícia www.aproximaviagem.pt

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