Ainda espera pelo last minute? Agente de viagens explica quando comprar mais cedo pode sair muito mais barato
Esperar pelo last minute nem sempre significa pagar menos. Agente de viagens explica quando reservar com antecedência pode sair muito mais barato.
Esperar até à última hora para marcar as férias na esperança de encontrar um preço mais baixo continua a ser uma estratégia seguida por muitos viajantes. Mas nem todas as viagens funcionam da mesma forma e, sobretudo quando estão envolvidos voos regulares, deixar a compra para os últimos dias pode significar pagar bastante mais.
É o que explica Natalie Lopes, CEO da Four Seasons Viagens, no mais recente episódio do podcast Põe-te a Milhas. A agente de viagens considera que o comportamento dos clientes mudou e diz que a tendência que observa é de uma maior antecipação na compra das férias.
“O mercado mudou completamente. Ou seja, aquele cliente que procurava a last minute já não procura. Eu posso-te dizer que já tenho já reservas para julho do próximo ano”, afirma. A experiência da agência contraria, assim, a ideia de que os portugueses estão cada vez mais dependentes das oportunidades de última hora.
Questionada precisamente sobre essa perceção, a responsável admite que continuam a existir clientes que compram em cima da hora, mas considera que não é essa a tendência que tem acompanhado. “Há sempre aquela pessoa que compra em cima da hora. É verdade, mas pela experiência que eu tenho, e já são muitos anos, e vou a assistindo e acompanhando as tendências de mercado, posso-te dizer que o agosto começou a ser feito em outubro”, revela.
A Black Friday já serve para comprar as férias de verão
Esta antecipação é particularmente visível durante a Black Friday. Em vez de esperarem pela aproximação do verão, há clientes que aproveitam as campanhas do final do ano para começar a tratar das férias muitos meses antes. “Nós na Black Friday vendemos imenso, mas imenso para o verão”, conta a CEO da Four Seasons Viagens.
Na mesma conversa, defende ainda que os early bookings podem compensar e aponta duas vantagens: a possibilidade de comprar mais barato e de ir pagando a viagem gradualmente até à partida. Aconselha também a contratação de um bom seguro de cancelamento quando a reserva é feita com grande antecedência.
Mas há uma distinção importante para perceber quando esperar pode ou não compensar: voos charter e voos regulares não seguem necessariamente a mesma lógica.
Quando o last minute ainda pode funcionar
Nos pacotes dependentes de voos charter, uma oportunidade de última hora pode efetivamente aparecer. A explicação está no modelo utilizado pelos operadores turísticos, que contratam previamente lugares e podem chegar aos últimos dias com capacidade ainda disponível.
A própria agente de viagens dá como exemplo um cliente que decidiu à última hora fazer uma viagem de 15 dias ao México com a família. Ainda existiam lugares no charter e, neste caso, foi possível encontrar uma oportunidade em cima da hora.
Isso não significa, contudo, que seja uma estratégia garantida. Depende de existirem lugares disponíveis, do destino e das datas pretendidas. Para quem tem pouca flexibilidade ou quer assegurar um destino específico, esperar implica aceitar esse risco.
Nos voos regulares, a lógica é diferente
É nos destinos dependentes de voos regulares que a antecedência ganha maior importância. Aqui entram não apenas cidades europeias, mas também viagens de longo curso realizadas em companhias de bandeira. “Tudo o que sejam destinos de linha regular convém comprar mais cedo”, afirma a convidada do Põe-te a Milhas.
Para explicar a diferença, dá o exemplo de uma viagem às Maurícias: “Imagina uma pessoa que vai viajar amanhã para as Maurícias, se comprar hoje o bilhete ou se tiver comprado esta semana, garantidamente que vai pagar muito mais do que aquela pessoa que comprou há seis meses atrás.”
Segundo a responsável, o preço das passagens nestes voos é fortemente influenciado pela antecedência da compra. Podem existir campanhas e diferentes tipos de tarifas, mas deixar a decisão para os últimos dias não obedece à mesma lógica das vagas que eventualmente sobram num charter.
Há quem compre a viagem seguinte assim que regressa
Há clientes que já não esperam sequer alguns meses para começar a preparar as férias seguintes. A CEO da Four Seasons Viagens dá como exemplo um grupo que viajou para o Brasil e que, pouco depois de regressar, garantiu os voos para voltar no final desse mesmo ano.
“Nós temos viagens vendidas para o Brasil, para a passagem de ano, em que os clientes chegaram do Brasil o ano passado, no início de janeiro, e compraram logo o voo para o ano a seguir. E te garanto que o preço da TAP naquela altura era muito mais baixo do que é agora. Muito mais barato, compensa sempre”, adverte.
A conversa completa no Põe-te a Milhas
A diferença entre last minute e early booking é um dos temas abordados por Natalie Lopes, CEO da Four Seasons Viagens, no novo episódio do Põe-te a Milhas. A conversa passa ainda pelas novas tendências nas viagens de grupo, pelos destinos que estão a despertar maior procura, pelos preços de Cabo Verde e pelas mudanças que a agente de viagens tem observado na forma como os portugueses planeiam as férias.
O episódio completo está disponível no Spotify e Apple Podcasts.