“Já não são só os idosos”: Cada vez mais pessoas estão a escolher viagens de grupo, diz agente de viagens
“Já não são só os idosos”. A CEO da Four Seasons Viagens explica no Põe-te a Milhas porque cada vez mais pessoas estão a escolher viagens de grupo.
Viajar com dezenas de desconhecidos, encontrar no grupo pessoas com quem se volta a partir anos depois ou simplesmente sentir que há alguém por perto num destino distante. As viagens de grupo estão a atrair públicos diferentes e a assumir um lugar cada vez mais relevante entre quem procura companhia, segurança e uma forma diferente de conhecer o mundo.
É uma realidade que Natalie Lopes, CEO da Four Seasons Viagens, conhece bem e sobre a qual fala no novo episódio do Põe-te a Milhas. Numa conversa que passa também pela forma como estamos a marcar férias, pelo last minute, pelos destinos mais procurados e pelas reservas que já estão a ser feitas para 2027, a agente de viagens conta o que mudou neste mercado.
“Eu já faço viagens de grupo já há cerca de 20 anos”, começa por dizer. A experiência começou através de juntas de freguesia, com programas de vertente cultural destinados sobretudo a pessoas seniores, primeiro em Portugal e posteriormente no estrangeiro.
Ao longo desse percurso, o perfil dos participantes foi-se alterando. “O que eu ao longo dos tempos é que, de facto, as viagens de grupo mudaram, ou seja, já não são só os idosos que fazem as viagens de grupo”, afirma. Atualmente, há também pessoas que estão sozinhas ou que não querem viajar sozinhas, além de viajantes que encontram no grupo uma experiência diferente daquela que teriam se partissem apenas em casal.
De desconhecidos a companheiros de viagem
Entrar num grupo onde não se conhece ninguém continua a levantar receios, mas o acompanhamento desde a organização até ao regresso pode fazer a diferença. “Há sempre pessoas que têm medo de viajar com pessoas que não conhecem, mas o facto de terem ali um suporte de uma agência de viagens que vai e que os acompanha, não só na parte da organização da viagem, mas que está com eles desde o início até ao fim do processo e até ao momento de chegar a casa, isso faz toda a diferença.”
Alguns desses desconhecidos acabam mesmo por voltar a encontrar-se. “Já há dois ou três ou quatro ou cinco casais que já repetiram viagens de grupo e acabam por se juntar”, conta a responsável. A experiência, para alguns clientes, acaba por ganhar continuidade: “O que eu noto, de facto, é que começou a ser um estilo de vida, um estilo de viagem”, analisa Natalie.

de grupo já 20 anos


“Já levei 120, 130 pessoas” conta a especialista
Um grupo de 25 participantes não é particularmente grande para quem acompanha este tipo de viagens há duas décadas. “No máximo já levei 120, 130 pessoas”, revela a convidada do Põe-te a Milhas.
Acompanhar mais de uma centena de viajantes implica gerir diferentes gostos, problemas, situações e personalidades. “Tens que ter aqui uma bateria social muito bem carregada e um filtro muito grande, mas é muito bom, sabes?”, admite. A proximidade criada durante as viagens acaba também por fazer com que alguns clientes se tornem amigos de quem os acompanha.
Estar num grupo desta dimensão ou de outra bastante menor não significa, contudo, passar todos os momentos em conjunto. Os programas procuram incluir tempo livre para que cada participante possa fazer aquilo que lhe apetece, desde ficar no hotel a sair sozinho ou aproveitar algum tempo a dois.
“Eu tento fazer um programa que possa agradar aquela pessoa que não quer estar sozinha e aquela pessoa que precisa do seu espaço”, explica a CEO da Four Seasons Viagens.
Há quem queira apenas sentir que não está sozinho
Nem todos os participantes procuram fazer amigos ou passar as férias permanentemente a socializar. Para alguns, a presença do grupo é suficiente para tornar uma viagem mais confortável. “Às vezes, eu vou-te ser sincera, é aquela pessoa que quer estar ali só a ler um livro, nem sequer fala contigo, mas sente a tua presença”, afirma.
A agente de viagens diz encontrar pessoas que podem nem socializar com todos os participantes, mas valorizam a sensação de pertencer àquele grupo e de saber que “‘este é o meu grupo, se me acontecer alguma coisa, eu estou com este grupo de Portugal’”, explica, acrescentando que esta segurança faz crescer este fenómeno. “É algo que tem vindo a aumentar e vai crescer bastante”.
Este acompanhamento ganha particular importância nas viagens mais distantes. A responsável já ouviu clientes explicarem que só fariam determinada viagem porque ela estaria presente, sobretudo quando existem várias escalas ou dificuldades com a língua.
“As viagens de grupo não são para descansar”
Viajar acompanhado também exige capacidade de adaptação. Empatia e flexibilidade estão entre as características necessárias, sobretudo em circuitos culturais que obrigam a começar os dias cedo devido às distâncias, às visitas programadas ou às temperaturas.
“As viagens de grupo não são para descansar, porque às vezes quando nós temos tours, tu tens que sair do hotel às sete da manhã ou muitas vezes às seis da manhã”, alerta. Antes da partida, a Four Seasons Viagens realiza um briefing com os participantes para percorrer o programa e esclarecer questões práticas. Vacinas, adaptadores de tomadas, moeda, cartões e até a necessidade de levar toalhas estão entre as dúvidas que surgem. Este contacto permite também que as pessoas se conheçam antes de chegarem ao aeroporto.
“O mercado mudou completamente”
As viagens de grupo são apenas um dos temas abordados no novo episódio do Põe-te a Milhas. A conversa entra também na forma como as férias estão a ser compradas e na ideia de que esperar pela última hora permite sempre encontrar melhores preços.
“O mercado mudou completamente”, afirma a agente de viagens que acrescenta: “Aquele cliente que procurava o last minute já não procura. Eu posso-te dizer que já tenho reservas para julho do próximo ano”, desvenda.
A experiência da agência aponta para uma antecipação das compras. “Eu posso-te dizer que o agosto começou a ser feito em outubro”, diz. E há uma data que se tornou um dos momentos importantes: “Nós na Black Friday, e eu posso falar da experiência da minha empresa, nós na Black Friday vendemos imenso, mas imenso, para o verão.”
Durante a entrevista, a CEO da Four Seasons Viagens explica ainda as diferenças entre esperar por uma oportunidade num voo charter e comprar uma viagem que depende de voos regulares, defendendo uma maior antecedência neste último caso.
Os destinos que estão na moda
Os destinos que estão a despertar interesse também entram na conversa. “O Japão está super na moda. Toda a gente agora quer ir ao Japão”, afirma. Indonésia e Tailândia são igualmente apontadas entre as opções que vendem bem, enquanto a ligação entre Tailândia e Vietname abre novas possibilidades de combinação numa mesma viagem.
A programação para 2027 também já começou. A Four Seasons Viagens tem vendas para Brasil, Maurícias e Seicheles, além de procura por Zanzibar, enquanto começam a surgir novos pedidos para o próximo ano.
O novo episódio do Põe-te a Milhas
Ao longo da conversa, há ainda histórias sobre os imprevistos que podem acontecer durante uma viagem, os desafios de gerir grandes grupos, cruzeiros, viagens para singles, retiros espirituais, Cabo Verde e o impacto da instabilidade internacional na escolha dos destinos.
O episódio completo com Natalie Lopes, CEO da Four Seasons Viagens, está disponível no Spotify e Apple Podcasts. A conversa pode ser ouvida no novo episódio do Põe-te a Milhas.
Oiça o podcast completo aqui: