Carlos Areia Operado há um mês: “Psicologicamente está a ser muito difícil”

O ator, de 82 anos, tem passado os dias fechado em casa, totalmente dependente, mas espera conseguir recomeçar a andar em março e, depois disso, voltar ao trabalho. Para já, conta a 100 por cento com a mulher, Rosa Bela, a quem não poupa elogios.

Carlos Areia Operado há um mês: “Psicologicamente está a ser muito difícil”

Um mês depois de ter sido operado ao tornozelo esquerdo, na sequência de uma queda, Carlos Areia admite que ganhou um novo ânimo com o início das sessões de fisioterapia, embora continue abalado com toda a situação, já que está totalmente dependente.

“Felizmente, está tudo a correr dentro do normal, já comecei a fisioterapia e estou a recuperar dentro do que é expectável, mas já se sabe que estas situações demoram, embora eu tenha muita falta de paciência”, partilha com a NOVA GENTE. “Sei que é assim, mas custa. Penso que cada dia que passa é mais um passo. Mas tenho de dar muitos passos”, atira, divertido.

Ainda assim, há dias em que perde a boa disposição. “Psicologicamente está a ser muito difícil. Isto parou a minha vida por completo, todos os meus projetos pararam. Nunca me tinha acontecido. É um pouco como a morte, uma pessoa pensa que um dia pode acontecer. Também já tinha pensado que um dia podia dar uma queda, mas quando acontece é diferente. No fundo, nunca ninguém está à espera. Eu nunca pensei que isto me acontecesse”.

O artista sofreu esse acidente no início de dezembro e foi operado no dia 23 do mesmo mês. Desde então, tem estado em casa, sem poder fazer grande coisa. “Não consigo nem estou autorizado a colocar o pé esquerdo no chão”, lamenta. “Sendo assim, nem posso sair, não consigo descer as escadas…”.

No próximo mês já tenciona notar uma evolução. “As previsões são poder começar a colocar o pé no chão em fevereiro e em março recomeçar a andar. Espero que corra tudo bem. Tenho muita esperança de me recompor e de voltar a trabalhar. Estava com a peça Um Quinteto de Morte. Agora está o meu colega João Maria Pinto a substituir-me até eu poder voltar. A peça estará em cena até março, abril no Teatro Armando Cortez, em Lisboa. Depois, segue para digressão”.

Nessa altura, Carlos espera conseguir voltar ao projeto. “Espero poder voltar a trabalhar lá para a primavera. Vai ser uma adaptação. Se eu pudesse fazer uma peça ao pé coxinho, ia já”, partilha, afirmando que já está farto de estar em casa. “O que me dói mais, além das dores físicas, é não ter autonomia. Estou sempre dependente. Não consigo fazer nada, estou aqui em casa. Passo os dias a ver televisão, fico a olhar para o ecrã. Ler não consigo porque não tenho paciência. É preciso paciência e o meu pé não deixa, causa-me mal-estar e eu perco a vontade”, explica.

O momento alto do dia é quando vai fazer as sessões de fisioterapia. “Vem uma ambulância buscar-me e trazer-me. Ao menos vejo as luzes da rua, já é um alívio”. 
Rosa Bela, a mulher, tem sido o seu grande apoio nesta fase difícil. “Eu nem sei como passaria isto sem a Rosa, ela tem sido uma guerreira, tem sido essencial. É ela sozinha a fazer tudo. Eu não posso mesmo mexer-me. É tão chato estar assim. Está a ser mesmo difícil, embora a pior parte já tenha passado. É mau fisicamente e psicologicamente. Nem sei o que é pior”.

Texto: Vânia Nunes; Fotos: Arquivo Impala e D.R.

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