O que são voos de quinta liberdade e porque podem ser mais baratos

Saiba o que são voos de quinta liberdade e conheça ligações como Madrid–São Paulo, Milão–Nova Iorque, Barcelona–Cidade do México e Frankfurt–Nova Iorque.

O que são voos de quinta liberdade e porque podem ser mais baratos

Pode parecer estranho comprar um voo entre Madrid e São Paulo e descobrir que vai viajar com a Air China, uma companhia aérea chinesa. Ou atravessar o Atlântico entre Milão e Nova Iorque num Airbus A380 da Emirates, sem sequer passar pelo Dubai. Mas estas ligações existem, podem ser compradas separadamente e têm um nome: voos de quinta liberdade.

Trata-se de uma particularidade da aviação internacional que permite às companhias transportar passageiros entre dois países diferentes daquele onde estão sediadas, desde que o percurso faça parte de uma operação que começa ou termina no país de origem da transportadora. Para o passageiro, isto significa que pode aproveitar apenas esse troço, sem ter de realizar a viagem completa.

Afinal, o que é a quinta liberdade?

As chamadas liberdades do ar são direitos que regulam a forma como as companhias aéreas podem operar internacionalmente. A quinta liberdade permite a uma transportadora levar passageiros, carga ou correio entre dois países estrangeiros, no âmbito de uma ligação que tem origem ou destino no seu próprio país.

Um dos exemplos mais fáceis de perceber é o da Emirates. A companhia opera a ligação Dubai–Milão–Nova Iorque. Como é uma transportadora dos Emirados Árabes Unidos, Dubai–Milão é uma ligação entre o seu país de origem e outro Estado. Quando o mesmo voo continua de Milão para Nova Iorque, a Emirates passa a transportar passageiros entre Itália e Estados Unidos, dois países que não são o seu.

É precisamente aqui que entra a quinta liberdade: a Emirates está autorizada a vender Milão–Nova Iorque como uma viagem independente. O passageiro não precisa de ter começado a viagem no Dubai nem de lá terminar o percurso. Atualmente, o EK205 parte de Milão-Malpensa às 16h10 e chega ao JFK às 18h55, depois de 8h45 de voo, utilizando um Airbus A380.

De Madrid para São Paulo numa companhia chinesa

Para quem parte de Portugal, um dos exemplos mais interessantes está mesmo ao lado. A Air China opera Madrid–São Paulo como parte da ligação entre Pequim e a cidade brasileira, mas os passageiros podem comprar apenas o percurso entre Espanha e Brasil.

É um exemplo que mostra bem até onde vai este direito: uma companhia chinesa pode transportar passageiros entre Espanha e Brasil sem que estes tenham de viajar de ou para a China. Para um português que pretenda viajar para São Paulo, significa que existe mais uma alternativa a considerar quando compara as opções disponíveis a partir da Península Ibérica.

Barcelona também tem um voo direto para o México com a Emirates

Outro caso particularmente interessante pela proximidade a Portugal é Barcelona–Cidade do México, operado pela Emirates. O EK255 parte de Barcelona às 11h05 e chega à capital mexicana às 15h05, numa viagem de 12 horas. No sentido contrário, o EK256 parte às 18h45 e chega a Barcelona às 13h45 do dia seguinte.

A ligação faz parte da operação Dubai–Barcelona–Cidade do México, mas é possível comprar apenas Barcelona–Cidade do México. Desde 15 de fevereiro de 2026, a Emirates utiliza nesta rota um Boeing 777-200LR renovado, equipado com Premium Economy.

Frankfurt–Nova Iorque com a Singapore Airlines

A Singapore Airlines proporciona outro dos exemplos mais conhecidos. A companhia asiática opera o SQ26 entre Singapura, Frankfurt e Nova Iorque, tendo direitos para vender apenas Frankfurt–Nova Iorque. No regresso, o SQ25 realiza Nova Iorque–Frankfurt antes de continuar para Singapura.

A rota continua disponível em 2026 e permite fazer uma travessia do Atlântico numa companhia de Singapura sem ser necessário viajar para a Ásia. A própria Singapore Airlines inclui Frankfurt–Nova Iorque e Nova Iorque–Frankfurt entre os voos SQ26 e SQ25 disponíveis nas suas campanhas KrisFlyer para setembro de 2026.

Atenas–Nova Iorque também é possível com a Emirates

A Emirates tem outro exemplo na Europa, desta vez entre Atenas e Newark, na região de Nova Iorque. O EK209 parte atualmente da capital grega às 17h35 e chega a Newark às 21h20, depois de 10h45 de viagem, num Boeing 777. No sentido contrário, o EK210 demora 9h10.

A particularidade volta a ser a mesma: o voo começa no Dubai, passa por Atenas e continua para os Estados Unidos, mas a Emirates comercializa Atenas–Newark separadamente. Assim, é possível viajar entre Grécia e Estados Unidos numa companhia dos Emirados Árabes Unidos sem passar pelo Dubai.

Há voos de quinta liberdade bem mais curtos

Nem todos estes voos servem para atravessar oceanos. Também existem operações de quinta liberdade em percursos muito mais curtos, incluindo dentro da própria Europa, realizadas por companhias que aproveitam uma escala para transportar passageiros entre dois países estrangeiros.

É precisamente essa variedade que torna estes voos curiosos: o princípio que permite à Emirates transportar passageiros entre Itália e Estados Unidos ou à Singapore Airlines fazê-lo entre Alemanha e Estados Unidos também pode ser aplicado a ligações regionais bastante mais pequenas.

Qual é a vantagem para o passageiro?

A primeira é a concorrência. Uma companhia que normalmente não estaria presente naquele mercado passa a disputar passageiros com as transportadoras que já fazem a rota. Isso pode significar tarifas interessantes, embora não exista qualquer garantia de que um voo de quinta liberdade seja mais barato.

A segunda vantagem está na própria experiência de viagem. Estes voos permitem experimentar companhias, aviões e produtos de bordo que normalmente associamos a outras regiões do mundo. Milão–Nova Iorque é talvez o melhor exemplo: é possível atravessar o Atlântico num Airbus A380 da Emirates sem viajar até ao Médio Oriente. A companhia disponibiliza atualmente no percurso Economy, Premium Economy, Business e First Class.

O mesmo acontece entre Frankfurt e Nova Iorque com a Singapore Airlines ou entre Madrid e São Paulo com a Air China. Para quem valoriza a experiência a bordo, pode ser uma oportunidade de experimentar uma transportadora diferente numa viagem que faria de qualquer maneira.

Podem compensar para quem parte de Portugal?

Madrid e Barcelona tornam esta possibilidade particularmente interessante para os portugueses. Antes de comprar uma viagem de longo curso, pode valer a pena comparar os preços disponíveis a partir de Lisboa ou Porto com os oferecidos nestas cidades espanholas, incluindo os voos de quinta liberdade.

Mas há uma conta que deve ser feita até ao fim. Se comprar, por exemplo, Lisboa–Madrid numa companhia e Madrid–São Paulo com a Air China em reservas independentes, terá de acrescentar o preço do primeiro voo e eventualmente uma noite de hotel. Existe ainda o risco associado aos bilhetes separados: se o primeiro voo se atrasar e perder o segundo, pode não beneficiar da mesma proteção que teria numa viagem emitida numa única reserva.

Um voo de quinta liberdade não é necessariamente mais barato

A existência de mais uma companhia numa determinada rota pode aumentar a concorrência, mas quinta liberdade não é sinónimo de preço baixo. As tarifas dependem da procura, das datas, da disponibilidade e da classe escolhida, exatamente como acontece nos restantes voos.

A vantagem é haver uma alternativa que, sem estes direitos, provavelmente não existiria. Para o passageiro, isso significa mais uma tarifa para comparar e, por vezes, a possibilidade de viajar num avião ou numa companhia bastante diferente das opções habituais naquela rota.

Porque se chama precisamente “quinta liberdade”?

A designação vem das chamadas liberdades do ar. As primeiras estabelecem, entre outros direitos, a possibilidade de uma companhia sobrevoar outro país sem aterrar ou fazer uma escala por razões não comerciais. A terceira e a quarta permitem transportar passageiros entre o país de origem da transportadora e outro Estado.

A quinta vai mais longe e permite que a companhia transporte passageiros entre dois países que não são o seu, desde que esse percurso esteja integrado numa operação com ligação ao país de origem da transportadora. É assim que uma companhia chinesa pode vender Madrid–São Paulo, uma companhia de Singapura pode transportar passageiros entre Frankfurt e Nova Iorque e uma companhia do Dubai pode vender Milão–Nova Iorque, Barcelona–Cidade do México ou Atenas–Newark.

Para quem viaja, a expressão pode parecer excessivamente técnica. Na prática, significa algo bastante simples: há mais voos e mais companhias disponíveis do que aquelas que provavelmente procuraria à primeira vista.

Notícia www.aproximaviagem.pt

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