Matera: o que ver e fazer na extraordinária cidade italiana escavada na rocha

Descubra Matera, a extraordinária cidade italiana das cavernas: o que ver e fazer, Sassi, igrejas rupestres, preços, gastronomia e como chegar.

Matera: o que ver e fazer na extraordinária cidade italiana escavada na rocha

É fácil perceber por que razão Matera, no sul de Itália, é conhecida como a Cidade das Cavernas. Durante séculos, milhares de pessoas viveram em casas parcialmente escavadas na rocha, os famosos Sassi, num cenário tão invulgar que parece pertencer a uma época muito mais distante. Hoje, muitas dessas antigas habitações foram recuperadas e transformadas em casas, hotéis, restaurantes e espaços culturais, mas continuam a contar uma das histórias mais extraordinárias de Itália.

Situada na região da Basilicata, Matera passou de símbolo da pobreza do sul italiano a Património Mundial da UNESCO e a um dos destinos mais fascinantes do país. Os Sassi e o Parque das Igrejas Rupestres foram classificados pela UNESCO em 1993, que considera o conjunto um dos exemplos mais completos e bem preservados de povoamento troglodita da região mediterrânica. A ocupação humana deste território remonta ao Paleolítico e prolongou-se, com diferentes formas, ao longo de milénios.

A transformação das últimas décadas mudou radicalmente a cidade. Onde existiam habitações sem água corrente, saneamento ou condições básicas de salubridade encontram-se atualmente alojamentos turísticos sofisticados, restaurantes e museus. Matera ganhou ainda maior projeção internacional em 2019, quando foi Capital Europeia da Cultura, e o cenário dos Sassi tornou-se também presença habitual no cinema.

De símbolo de pobreza a Património Mundial

A história recente de Matera nem sempre foi motivo de orgulho para Itália. Na primeira metade do século XX, milhares de pessoas continuavam a viver nos Sassi em condições extremamente precárias, muitas vezes partilhando as cavernas com animais. As deficientes condições sanitárias e a pobreza transformaram esta zona da cidade num dos símbolos do atraso económico do sul italiano.

A situação tornou-se uma questão nacional no período do pós-guerra e, em 1952, uma lei determinou o realojamento dos habitantes dos Sassi. Cerca de 15 mil pessoas viviam então nestes bairros e grande parte da população foi progressivamente transferida para novas zonas residenciais construídas pelo Estado.

Durante vários anos, muitas das antigas habitações ficaram abandonadas e degradadas. A recuperação começou a ganhar força sobretudo a partir da década de 1980, quando moradores, artistas e empresários começaram a regressar e a restaurar os espaços. A classificação da UNESCO, em 1993, acabaria por consolidar a transformação e colocar definitivamente Matera no mapa turístico internacional.

O que são afinal os Sassi de Matera?

Os Sassi não são simplesmente um conjunto de cavernas. Trata-se de dois grandes bairros históricos, o Sasso Caveoso e o Sasso Barisano, construídos em torno da Civita, a zona mais elevada do centro antigo. Casas, igrejas, oficinas, mosteiros e cisternas foram sendo escavados e construídos na pedra calcária, criando uma cidade onde os telhados de algumas habitações servem de ruas ou terraços para as casas localizadas acima.

O resultado é um verdadeiro labirinto de escadarias, passagens, becos e construções sobrepostas. A melhor maneira de descobrir Matera é precisamente caminhar tranquilamente pelos Sassi, embora seja aconselhável levar calçado confortável. As subidas são constantes, o piso é irregular e algumas zonas tornam-se particularmente escorregadias quando chove.

Entrar numa verdadeira casa-caverna

Uma das melhores formas de perceber como se vivia nos Sassi é visitar uma casa-caverna preservada ou reconstruída. A histórica Casa Grotta di Vico Solitario recria uma habitação tradicional e permite perceber como famílias numerosas partilhavam espaços muito reduzidos com animais, utensílios agrícolas e tudo aquilo de que necessitavam para o quotidiano.

Em 2026, o bilhete normal para o percurso da Casa Grotta di Vico Solitario custa €8 e inclui também outros espaços associados à visita. Crianças até aos dez anos têm entrada gratuita.

Existe ainda a Antica Casa Grotta di Via Fiorentini, onde a entrada custa €2. Para quem pretenda visitar vários monumentos, existe um bilhete combinado de €25 que inclui oito espaços, entre os quais três igrejas rupestres, uma casa-caverna, o MATA – Museu Diocesano e o Museo del Pane.

Descobrir as igrejas escavadas na rocha

Matera possui dezenas de igrejas rupestres, muitas delas decoradas com frescos antigos. Entre as mais conhecidas encontram-se Santa Lucia alle Malve, San Pietro Barisano e o complexo de Madonna de Idris e San Giovanni in Monterrone.

Em 2026, visitar uma destas igrejas custa €4,50. O bilhete para duas custa €8 e o acesso às três fica por €10. Existem ainda tarifas reduzidas para várias categorias de visitantes.

Madonna de Idris é particularmente impressionante pela localização. A igreja parece nascer diretamente do rochedo de Monterrone e oferece uma das imagens mais características de Matera. San Pietro Barisano, por sua vez, é uma das maiores igrejas rupestres da cidade.

Subir até à Catedral de Matera

No ponto mais elevado da Civita encontra-se a Catedral de Matera, construída no século XIII e dedicada a Nossa Senhora da Bruna e a Santo Eustáquio. A sua posição permite que seja avistada de vários pontos dos Sassi e faz dela uma referência constante durante qualquer passeio pelo centro histórico.

O percurso cultural que inclui a Catedral e o MATA – Museu Diocesano custa €4. Aos domingos e em dias de solenidade, as visitas turísticas ficam suspensas entre as 10h00 e as 12h30.

Vale também a pena conhecer a Igreja de San Giovanni Battista, uma das construções religiosas medievais mais interessantes da cidade, cuja origem remonta ao século XIII.

Descer à enorme cisterna escondida debaixo da cidade

Matera desenvolveu durante séculos um sofisticado sistema para aproveitar a pouca água disponível. A chuva era recolhida através de canais e conduzida para cisternas escavadas na rocha, permitindo abastecer a população.

Um dos exemplos mais impressionantes é o Palombaro Lungo, escondido sob a Piazza Vittorio Veneto. A gigantesca cisterna subterrânea, conhecida como uma espécie de “catedral da água”, tinha capacidade para milhões de litros e ajuda a compreender como os habitantes conseguiram adaptar-se a um território particularmente difícil.

A visita custa €3 para adultos e é gratuita para menores. O percurso é feito de forma autónoma e demora aproximadamente 15 minutos.

Atravessar o desfiladeiro e olhar para Matera do outro lado

Uma das melhores vistas de Matera encontra-se fora dos próprios Sassi. Do outro lado da Gravina está o Parque da Murgia Materana, uma paisagem rochosa onde existem grutas, vestígios arqueológicos e numerosas igrejas rupestres.

É possível atravessar o desfiladeiro através da ponte pedonal sobre o rio Gravina e continuar a caminhada até ao planalto. O percurso exige algum esforço físico e deve ser evitado nas horas de maior calor durante o verão, mas a recompensa é uma vista panorâmica sobre toda a cidade antiga.

Quem não quiser fazer a caminhada pode chegar de automóvel à zona da Murgia e parar nos miradouros. Ao final do dia, é também um dos melhores locais para observar o pôr do sol sobre os Sassi.

Conhecer o MUSMA, um museu dentro das cavernas

Matera não vive apenas da sua história mais antiga. O MUSMA – Museo della Scultura Contemporanea di Matera ocupa o Palazzo Pomarici e vários espaços escavados na rocha, criando uma ligação pouco habitual entre escultura contemporânea e arquitetura rupestre.

O bilhete normal custa €10, enquanto estudantes e jovens entre os sete e os 18 anos pagam €5. Entre abril e setembro, o museu funciona das 10h00 às 20h00, com a última entrada uma hora antes do encerramento.

Fazer uma visita guiada pelos Sassi

É perfeitamente possível explorar grande parte de Matera sozinho, mas uma visita guiada ajuda a compreender melhor uma cidade cuja história nem sempre é evidente à primeira vista. Sistemas de recolha de água, casas sobrepostas, antigas igrejas e a própria organização social dos Sassi ganham outro significado quando são explicados no local.

Existem visitas de aproximadamente uma hora e meia a partir de €20 por pessoa, incluindo, em alguns casos, a entrada numa igreja rupestre e numa casa-caverna.

Uma cidade que Hollywood também descobriu

A paisagem quase bíblica de Matera tornou-a num cenário natural para várias produções cinematográficas. Pier Paolo Pasolini filmou aqui partes de O Evangelho Segundo São Mateus, enquanto Mel Gibson escolheu a cidade para A Paixão de Cristo.

Mais recentemente, Matera voltou a chegar aos cinemas de todo o mundo em 007: Sem Tempo para Morrer. As ruas, escadarias e edifícios dos Sassi serviram de cenário a algumas das sequências mais espetaculares do filme protagonizado por Daniel Craig.

O que comer em Matera

A gastronomia da Basilicata é simples, robusta e profundamente ligada aos produtos da terra. Um dos símbolos locais é o pão de Matera, facilmente reconhecível pelo formato e pela crosta espessa. Também são frequentes pratos com leguminosas, massas artesanais, queijos, carne de porco e os famosos peperoni cruschi, pimentos secos e crocantes utilizados em diferentes receitas.

Outra especialidade é a pezzente della montagna materana, um enchido tradicional da Basilicata associado à cozinha rural da região. Para quem procura experimentar a gastronomia local, Ristorante Francesca continua a funcionar em pleno Sasso Caveoso, num espaço parcialmente escavado na rocha, com refeições geralmente na ordem dos €30 a €40 por pessoa.

Outra opção é La Latteria, que combina restaurante, bar e pequena mercearia e mantém a ligação aos produtos regionais. Uma refeição ronda geralmente os €20 a €30 por pessoa.

Quantos dias são necessários para conhecer Matera?

Matera pode ser visitada num dia numa escapadinha a partir de Bari, mas fazê-lo significa passar rapidamente por uma cidade que merece ser descoberta com tempo. Uma noite permite conhecer os principais monumentos e, sobretudo, ver os Sassi depois de grande parte dos visitantes partir.

O ideal são dois dias. Além de permitir explorar os dois Sassi, visitar igrejas rupestres, entrar numa casa-caverna e atravessar até à Murgia, ficar uma noite oferece a possibilidade de descobrir uma Matera muito diferente depois do pôr do sol, quando as luzes começam a iluminar as fachadas de pedra.

Como chegar a Matera

Para quem viaja de Portugal, Bari é normalmente a principal porta de entrada aérea para chegar a Matera. O aeroporto de Bari fica a cerca de 65 quilómetros e existem ligações de autocarro para Matera. A partir do centro de Bari, a ligação ferroviária é assegurada pelas Ferrovie Appulo Lucane e, em condições normais, a viagem demora aproximadamente 100 minutos.

Há, contudo, uma alteração importante para quem viajar durante o verão de 2026. Devido a obras de modernização da infraestrutura, a circulação ferroviária entre Bari e Gravina está suspensa entre 22 de junho e 30 de agosto, existindo serviços rodoviários de substituição em parte do percurso. Os comboios entre Altamura e Matera Sud continuam a circular. Antes da viagem, é por isso aconselhável confirmar os horários e as condições de transporte atualizadas.

Quando visitar Matera

A primavera e o início do outono são provavelmente as melhores épocas para conhecer Matera. As temperaturas são mais agradáveis para caminhar e os Sassi exigem muitos quilómetros a pé, quase sempre entre subidas, descidas e escadarias.

Julho e agosto podem ser bastante quentes, sobretudo nas horas centrais do dia, enquanto o inverno oferece uma atmosfera completamente diferente e normalmente menos visitantes. Independentemente da época, Matera é uma daquelas cidades onde vale a pena ficar até ao anoitecer: quando as luzes se acendem dentro das antigas casas escavadas na rocha, a paisagem transforma-se por completo.

Notícia www.aproximaviagem.pt

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