Porque é que alguns países ainda carimbam o passaporte e outros já deixaram de o fazer
Porque é que alguns países continuam a carimbar o passaporte enquanto outros já deixaram de o fazer? A resposta está na forma como as fronteiras estão a tornar-se cada vez mais digitais.
Durante décadas, atravessar uma fronteira significava ouvir um som inconfundível: o do carimbo a marcar uma nova página do passaporte. Para muitos viajantes, era quase um ritual e uma recordação de mais um destino visitado.
Mas quem viaja com frequência já terá reparado que isso nem sempre acontece. Há países onde o passaporte continua a ser carimbado à entrada e à saída, enquanto noutros o processo é totalmente digital e o carimbo desapareceu. A explicação está na evolução dos sistemas de controlo fronteiriço.
O carimbo foi durante muitos anos indispensável
O carimbo servia para confirmar oficialmente a entrada e a saída de um país. Além de identificar a data e o local da passagem pela fronteira, permitia às autoridades controlar o tempo de permanência de cada visitante.
Para o viajante, acabava também por ser uma recordação. Há quem goste de folhear o passaporte anos mais tarde e recordar cada viagem através dos carimbos acumulados. No entanto, esse sistema começou a mudar à medida que os países investiram em tecnologias mais rápidas e seguras.
As fronteiras estão a tornar-se digitais
Hoje, muitos aeroportos utilizam passaportes biométricos, leitores eletrónicos e portões automáticos, conhecidos como eGates. Nestes casos, basta aproximar o passaporte do leitor e confirmar a identidade através do reconhecimento facial ou, em alguns países, da impressão digital.
Todo o processo fica registado eletronicamente, sem necessidade de colocar um carimbo físico no documento.
Além de acelerar a passagem pelas fronteiras, estes sistemas reduzem erros humanos, dificultam a utilização de documentos falsificados e permitem às autoridades acompanhar com maior precisão as entradas e saídas do território.
Na Europa, o carimbo está a desaparecer
Quem viaja entre países do Espaço Schengen já não passa, regra geral, por controlos fronteiriços internos. Por isso, não recebe qualquer carimbo no passaporte.
Mesmo nas fronteiras externas do espaço Schengen, a tendência é abandonar gradualmente os carimbos tradicionais. A União Europeia está a implementar o Sistema de Entrada e Saída (Entry/Exit System – EES), que irá registar eletronicamente as entradas e saídas dos cidadãos de países terceiros.
Quando estiver plenamente operacional, este sistema substituirá, na maioria dos casos, os carimbos em papel.
Porque é que alguns países continuam a carimbar?
A resposta é simples: nem todos os países estão na mesma fase de modernização. Em muitos destinos, especialmente fora da Europa, o carimbo continua a ser a forma oficial de registar a entrada e a saída dos viajantes. Em alguns casos, trata-se de uma questão tecnológica. Noutros, é simplesmente o procedimento administrativo em vigor.
Há ainda países que preferem manter um registo físico, por ser mais simples de consultar em determinadas situações, como a verificação do tempo máximo de permanência permitido.
Faz questão de receber um carimbo? Às vezes há solução
Apesar da digitalização, muitos viajantes continuam a apreciar o velho ritual do carimbo. Para alguns, o passaporte funciona quase como um diário de viagens, onde cada página conta uma história diferente. Há quem escolha até renovar o passaporte apenas quando já não existe espaço para mais carimbos.
Em determinados países, mesmo quando o controlo é eletrónico, é possível pedir ao agente da imigração que coloque um carimbo. No entanto, essa decisão depende sempre das regras locais e nem sempre o pedido é aceite.