Da Cascata do Tahiti à Portela do Homem: um roteiro pelas quedas de água mais bonitas do Gerês

Da Cascata do Tahiti à Portela do Homem, descubra um roteiro por algumas das cascatas mais bonitas do Gerês, com acessos, caminhadas e cuidados a ter.

Da Cascata do Tahiti à Portela do Homem: um roteiro pelas quedas de água mais bonitas do Gerês

A água desenha alguns dos cenários mais impressionantes do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Da famosa Cascata do Tahiti a quedas de água escondidas entre carvalhos, este é um roteiro para descobrir algumas das cascatas mais bonitas do Gerês.

É o único Parque Nacional de Portugal e um território onde a água está quase sempre presente. Rios e ribeiras atravessam as serras, precipitam-se entre rochas e formam quedas de água e lagoas naturais que se tornaram uma das imagens de marca do Gerês.

Algumas ficam praticamente junto à estrada, enquanto outras obrigam a fazer caminhadas mais ou menos longas. Há cascatas que atraem multidões nos dias quentes e outras que continuam a passar despercebidas a muitos visitantes. E há uma que ganhou um nome inesperado: Tahiti.

Este roteiro concentra-se sobretudo na Serra do Gerês e permite combinar algumas das quedas de água mais interessantes da região numa escapadinha de um ou dois dias. Não é necessário seguir a ordem à risca, mas a zona da Ermida é um bom ponto de partida, já que várias cascatas se encontram relativamente próximas.

Cascata do Tahiti: o nome não é oficial, mas ficou

A primeira paragem merece ser uma das mais famosas. Oficialmente chama-se Cascata de Fecha de Barjas, mas poucos visitantes a conhecem por esse nome. “Cascata do Tahiti” tornou-se a designação popular deste conjunto de quedas de água e piscinas naturais situado perto da aldeia da Ermida, na estrada em direção a Fafião.

As águas são provenientes do rio Arado e descem entre enormes blocos de granito, criando sucessivos desníveis e lagoas. É precisamente esta combinação entre água transparente, rocha e vegetação que ajuda a perceber por que razão o nome Tahiti acabou por pegar.

Para chegar à parte inferior da cascata é necessário seguir a pé pela margem esquerda do rio Arado, junto à ponte. Depois de alguns minutos por um caminho de terra batida, é preciso atravessar o rio Fafião, algo que só deve ser feito quando o caudal o permite. É a partir da zona inferior que se consegue uma perspetiva mais completa da queda de água.

A beleza do local não deve fazer esquecer o risco. O terreno é irregular, as pedras podem tornar-se extremamente escorregadias e existem desníveis consideráveis. O próprio Turismo de Terras de Bouro alerta para os perigos de queda e recomenda cuidados especiais no acesso e junto à água.

Cascata do Arado: uma das grandes imagens do Gerês

Da zona da Ermida é fácil continuar a descoberta até outra das cascatas mais emblemáticas do parque. A Cascata do Arado encontra-se a cerca de três quilómetros da aldeia e a aproximadamente oito quilómetros da Vila do Gerês, a uma altitude próxima dos 900 metros.

Aqui, a água desce pela montanha entre rochas graníticas, formando uma sucessão de quedas. Parte do interesse está também no percurso até lá, que atravessa uma das paisagens mais características da serra.

É possível aproximar-se de carro, embora o último quilómetro seja realizado por um caminho de terra batida até à ponte sobre o rio Arado. A partir desse ponto, uma escadaria de pedra conduz a um pequeno miradouro de onde se observa a cascata.

Ao contrário de outros locais deste roteiro, não deve ser encarada como um sítio para ir a banhos. As entidades locais desaconselham-nos devido ao risco de acidentes graves. Convém ainda ter em conta que, durante períodos prolongados de seca, o caudal pode diminuir muito ou mesmo desaparecer.

Cascata da Truta: uma pequena surpresa junto ao Arado

Quem já está na zona pode acrescentar uma cascata menos conhecida ao percurso. A Cascata da Truta é também alimentada pelo rio Arado e encontra-se nas proximidades da aldeia da Ermida.

O acesso faz-se através de um caminho que surge à direita cerca de 300 metros depois da entrada no caminho de terra batida que conduz à Cascata do Arado. A partir desse desvio são aproximadamente mais 300 metros até à queda de água.

É uma boa alternativa para quem quer fugir durante algum tempo às paragens mais conhecidas, embora a menor notoriedade não signifique que se possam ignorar os cuidados. Tal como acontece noutras cascatas da serra, o piso irregular e a proximidade da água exigem prudência.

Cascata da Rajada: para quem quer caminhar um pouco mais

Ainda nas proximidades da Ermida encontra-se a Cascata da Rajada, outra das quedas de água formadas ao longo do rio Arado. Neste caso, chegar ao destino implica acrescentar uma caminhada ao roteiro.

A partir do Miradouro da Ermida é necessário atravessar a aldeia e percorrer cerca de dois quilómetros por um estradão de terra batida. Pelo caminho existe ainda a possibilidade de fazer um desvio até ao Miradouro da Vela, acrescentando outra perspetiva sobre o vale do rio Arado.

A Rajada integra também o percurso alternativo do PR14 — Trilho do Sobreiral da Ermida. Esta versão tem cerca de seis quilómetros e passa pelo Miradouro da Fraga do Justo, pela cascata e pelo Miradouro da Vela, podendo ser uma opção para quem pretende transformar a visita às quedas de água numa caminhada mais completa.

Cascata da Laja: uma queda de água escondida no bosque

O cenário muda na Cascata da Laja. Em vez das grandes superfícies graníticas que dominam outras paragens, aqui a água surge envolvida por um bosque de folhosas, sobretudo carvalhos, e precipita-se nas proximidades de uma pequena ponte de madeira.

É uma das paragens mais interessantes para perceber que as cascatas do Gerês não são todas iguais. A envolvente florestal cria um ambiente diferente e particularmente interessante fora do pico do verão.

O percurso mais curto pode ser realizado seguindo em sentido inverso parte do PR10 — Trilho da Preguiça, numa distância aproximada de um quilómetro até à cascata.

Cascata de Leonte: uma queda de 19 metros junto à estrada

Seguindo em direção à Portela do Homem surge outra paragem que praticamente não exige desvio. A Cascata de Leonte é formada pelas águas do ribeiro da Taleira, que caem de uma parede granítica com cerca de 19 metros até ao leito do rio Gerês.

Uma das vantagens é poder ser observada a partir da EN308-1, que liga a Vila do Gerês à Portela do Homem, cerca de 1,5 quilómetros depois do Miradouro e da Casa do Guarda da Preguiça. Também é possível descobri-la a pé através do PR10 — Trilho da Preguiça.

Aqui, a época do ano faz uma diferença considerável. Em verões particularmente secos, o caudal pode reduzir-se ao ponto de a cascata desaparecer, pelo que a primavera ou os períodos posteriores a alguma precipitação tendem a mostrar Leonte no seu melhor.

Portela do Homem: terminar junto à fronteira com Espanha

O roteiro pode terminar numa das zonas mais conhecidas do Gerês. A Cascata de São Miguel, normalmente chamada Cascata da Portela do Homem, é na realidade uma sucessão de pequenas quedas de água no rio Homem, a nascente da ponte e apenas a cerca de 500 metros da fronteira espanhola.

A água corre entre grandes rochas e forma lagoas naturais que, durante o verão, transformam este num dos pontos mais procurados da serra. Essa popularidade tem um reverso: nos dias de maior calor pode existir uma grande concentração de visitantes.

Há ainda condicionamentos importantes para quem chega de automóvel. A circulação entre Leonte e Portela do Homem atravessa a Mata da Albergaria e está sujeita a regras específicas. O Turismo de Terras de Bouro indica que o estacionamento para visitar a cascata deve ser feito na zona da fronteira, sendo depois necessário regressar cerca de 500 metros a pé até à ponte.

Também aqui é preciso cuidado ao aproximar-se da água. A descida pelas margens faz-se sobre terreno acidentado e rochas que podem estar escorregadias.

Um roteiro para fazer ao ritmo de cada um

Quem pretender apenas conhecer as cascatas com acessos mais simples pode concentrar a visita no Tahiti, Arado, Leonte e Portela do Homem. Já quem tiver um dia inteiro ou quiser dividir o roteiro por dois dias pode acrescentar a Truta, Rajada e Laja, combinando as deslocações de carro com pequenos percursos pedestres.

A época escolhida também altera bastante a experiência. Depois dos períodos de chuva, as quedas de água apresentam geralmente maior caudal, enquanto no verão alguns cursos podem perder força. Em contrapartida, os meses mais quentes trazem mais visitantes, sobretudo às cascatas com lagoas naturais.

Independentemente da altura do ano, calçado adequado é essencial. Saltar de rochas, aproximar-se das zonas de queda ou entrar na água em locais desconhecidos pode representar um risco sério. A paisagem é um dos grandes motivos para percorrer o Gerês, mas observá-la em segurança faz parte da viagem.

Notícia www.aproximaviagem.pt

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