A Iberia vai levar passageiros a mais de 10 mil metros para ver o eclipse solar total
A Iberia prepara um voo especial a mais de 10.000 metros para observar o eclipse solar total de 12 de agosto. Conheça as curiosidades.
O eclipse solar total de 12 de agosto vai poder ser observado de uma perspetiva pouco habitual. A Iberia preparou um voo especial que permitirá acompanhar o fenómeno a mais de 10.000 metros de altitude, acima de grande parte das nuvens e de alguns dos obstáculos que podem dificultar a observação a partir do solo.
O voo parte de Madrid e seguirá uma rota especialmente desenhada para colocar o avião numa posição privilegiada no momento em que a Lua ocultar completamente o Sol. O ponto escolhido fica sobre a província espanhola de Palencia, uma das regiões atravessadas pela faixa de totalidade.
A operação será realizada no dia 12 de agosto a bordo de um Airbus A321XLR, um dos aviões mais recentes da frota da companhia espanhola. A descolagem do aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas está prevista para as 18h45 e o avião regressará posteriormente ao mesmo aeroporto.
Um número de voo que não foi escolhido por acaso
Até o número atribuído ao voo tem uma história por detrás. A Iberia decidiu batizá-lo como IB1473.
O número 1473 corresponde ao ano de nascimento de Nicolau Copérnico, o astrónomo polaco que desenvolveu o modelo heliocêntrico, segundo o qual a Terra e os restantes planetas orbitam em torno do Sol.
É uma pequena homenagem integrada numa operação em que aviação e astronomia estarão inevitavelmente ligadas.
Porquê observar um eclipse a mais de 10 mil metros?
A grande vantagem está precisamente na altitude. Enquanto milhares de pessoas estarão dependentes das condições meteorológicas nos locais escolhidos para observar o eclipse, o Airbus A321XLR estará acima de grande parte da nebulosidade.
Isso deverá permitir uma visão mais limpa da corona solar e reduzir a interferência provocada por nuvens e outros fenómenos atmosféricos.
A rota também não será semelhante à de um voo comercial convencional. Foi especificamente planeada para maximizar as condições de observação quando o avião estiver sobre Palencia.
Haverá cientistas dentro do avião
O voo não será apenas uma experiência de observação. A bordo estará uma equipa de investigadores do projeto Shelios, liderada pelo astrónomo Miquel Serra-Ricart, investigador do Instituto de Astrofísica de Canarias.
Os cientistas vão aproveitar a altitude de cruzeiro para realizar medições da corona solar em condições particularmente favoráveis, com menor interferência da nebulosidade e de outros fenómenos atmosféricos.
Durante a totalidade haverá ainda mais para observar. Com o céu temporariamente escurecido, deverão tornar-se visíveis nas proximidades aparentes do Sol planetas como Vénus e Mercúrio, além de algumas estrelas.
Um dos pilotos tem formação em Astrofísica
Há outra curiosidade particularmente apropriada para este voo. A tripulação será liderada pelo comandante Javier Lopera Alcalá e contará também com o piloto Javier Meana Fernández.
Além de piloto, Javier Meana Fernández tem formação em Astrofísica, uma combinação pouco habitual e especialmente adequada para uma operação concebida em torno de um fenómeno astronómico.
O eclipse será transmitido a partir do avião
Quem ficar em terra também poderá acompanhar a experiência a partir daquela perspetiva.
A Iberia pretende transmitir o eclipse em direto através das suas redes sociais, utilizando a ligação à Internet por satélite Starlink, tecnologia que a companhia está a introduzir progressivamente na sua frota.
A ligação permitirá enviar imagens em tempo real a partir do A321XLR enquanto este se encontra a mais de 10.000 metros de altitude.
É possível comprar um bilhete para este voo?
Aqui está um detalhe importante. Apesar de existirem passageiros a bordo, não se trata de um voo comercial normal para o qual seja possível, neste momento, entrar no site da Iberia e comprar um bilhete.
As informações disponíveis indicam que os lugares não foram colocados à venda ao público. O voo terá investigadores e convidados a bordo e foi concebido como uma operação especial associada à observação e divulgação do eclipse.
Um eclipse histórico para a Península Ibérica
O eclipse de 12 de agosto de 2026 é particularmente importante porque será o primeiro eclipse total do Sol visível a partir da Península Ibérica em mais de um século.
A faixa de totalidade atravessará parte do norte de Espanha, enquanto em Portugal o fenómeno será observado como eclipse parcial, embora com uma percentagem de ocultação do Sol muito elevada em algumas regiões do Norte e Nordeste.
No voo da Iberia, porém, o objetivo será colocar o A321XLR diretamente numa zona onde seja possível acompanhar a totalidade — transformando durante alguns minutos um avião comercial num dos observatórios mais invulgares do eclipse de 2026.