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Prejuízos da tempestade Kristin podem chegar aos seis mil milhões de euros

A tempestade Kristin causou danos históricos em Portugal. Paulo Fernandes alerta que prejuízos podem atingir 6 mil milhões de euros. Veja a cronologia e os apoios.

Prejuízos da tempestade Kristin podem chegar aos seis mil milhões de euros

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou um rasto de destruição que, segundo as mais recentes estimativas, coloca o país perante um desafio financeiro e logístico sem precedentes. Paulo Fernandes, líder da estrutura de missão “Reconstruir a Região Centro”, revelou que os danos totais podem oscilar entre os cinco e os seis mil milhões de euros, abrangendo habitações, empresas e infraestruturas públicas.

O impacto devastador na região Centro e Oeste

A magnitude do desastre é visível no terreno, especialmente na região de Leiria, onde o plano de recuperação poderá estender-se até 2029. Gonçalo Lopes, presidente da autarquia local, estima que só no seu concelho os prejuízos rondem os 800 milhões de euros.

Para Paulo Fernandes, estamos perante a “maior catástrofe natural da história contemporânea” do país, superando largamente o impacto de grandes incêndios anteriores. A escala do desastre é nacional, afetando desde a agricultura e floresta até ao tecido industrial e comercial.

Cronologia da crise: Do caos à reconstrução

28 de janeiro: A tempestade Kristin atinge Portugal continental com ventos ciclónicos, devastando o Oeste e a região Centro.
1 de fevereiro: O Conselho de Ministros aprova medidas extraordinárias de 2,5 mil milhões de euros para apoiar famílias e empresas.
6 de fevereiro: A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alerta para prejuízos superiores a 775 milhões de euros no setor agrícola.
15 de fevereiro: Termina o estado de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais fustigados pelas intempéries.
18 de fevereiro: O regulador de seguros (ASF) revela que cerca de 50% das habitações afetadas não possuem seguro com cobertura de fenómenos naturais.
19 de fevereiro: O Governo reforça o plano de apoio para 3,5 mil milhões de euros, enquanto se avaliam os danos nas infraestruturas municipais.
20 de fevereiro: Paulo Fernandes admite que o valor real dos prejuízos pode chegar aos seis mil milhões de euros.

O drama das casas sem seguro e o apoio do Estado

Um dos pontos mais críticos desta crise prende-se com a proteção habitacional. Dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) indicam que metade das casas expostas ao mau tempo não tinha cobertura para tempestades ou inundações.

O Governo desenhou uma medida específica para casos de perda total de habitação, prevendo-se que o apoio estatal seja crucial para as famílias desalojadas. Atualmente, os apoios imediatos para reconstrução e agricultura até 10 mil euros estão a ser processados com dispensa de licenciamentos para agilizar as obras.

Portugal tem enfrentado fenómenos meteorológicos extremos com maior frequência. Recentemente, a tempestade Nils causou estragos consideráveis nos nossos vizinhos espanhóis e franceses, antecipando a vulnerabilidade da Península Ibérica.

Pode também recordar o impacto de outras intempéries na nossa secção de notícias de economia, onde acompanhamos a par e passo o custo das alterações climáticas e as medidas de apoio ao emprego, como o layoff simplificado ativado nesta crise.

O futuro da reconstrução

Com mais de quatro mil empresas a reportar danos e uma perda de valor económico diária, o foco do executivo vira-se agora para a rapidez dos pagamentos. O Primeiro-Ministro assegurou que os primeiros apoios começaram a ser pagos 15 dias após o início da tempestade, mas a comunidade internacional e a União Europeia já foram contactadas para reforçar os fundos de solidariedade.

Luís Martins; WiN

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