Operação Imergente: quatro detidos presentes hoje a tribunal com novos dados sobre o caso
Os quatro detidos no âmbito da Operação Imergente são presentes esta sexta-feira ao Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa. Entre eles estão Duarte Moral e a mulher, Rute Reimão. O Ministério Público revela que o PS terá pago quantias indevidas a dois suspeitos.
Os quatro detidos após as buscas no PS no âmbito da Operação Imergente, desencadeada ontem pela Polícia Judiciária, são presentes esta sexta-feira ao Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coação. Uma quinta detenção, Filipa Laborinho, antiga vereadora da Câmara Municipal de Oeiras, foi entretanto libertada por se tratar de uma detenção em flagrante delito por posse ilegal de arma.
Esta manhã ficou a conhecer-se a identidade dos detidos: Duarte Moral, assessor do secretário-geral do PS José Luís Carneiro e antigo assessor de António Costa; a mulher de Duarte Moral, Rute Reimão; Rui Pedro Nascimento, sócio de Duarte Moral na empresa Diálogo Emergente; e Dimas Pestana, antigo assessor do gabinete de António Costa na Câmara de Lisboa e ex-assessor do grupo parlamentar do PS.
PS terá pagado quantias indevidas a dois suspeitos
Um dado novo e muito relevante surgiu esta manhã. O Ministério Público revelou que a investigação aponta para o alegado recebimento indevido de quantias por parte de um partido político por dois dos suspeitos envolvidos no processo. Por outras palavras: o próprio PS terá pagado, alegadamente de forma indevida, quantias a dois dos arguidos, um dado que contradiz a posição do partido, que ontem afirmou não ser visado pela investigação.
A teia de ligações ao PS
Uma reportagem da Sábado, publicada em janeiro de 2022, desvendou algumas ligações que estão agora no centro da Operação Imergente. Em setembro de 2021, Dimas Pestana enviou um email através da empresa Diálogo Emergente para o PS de Mafra com imagens de material para as eleições autárquicas. Esta empresa pertencia a Duarte Moral e Rui Pedro Nascimento, tendo sido criada poucos meses antes.
O epicentro da investigação continua a ser a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, anteriormente liderada pelo socialista Miguel Coelho, um dos principais visados. Em causa estão contratos no valor de dois milhões de euros, com adjudicações que incluíram uma empresa pertencente a um espanhol do PS galego.
Miguel Coelho suspendeu o mandato de deputado municipal em Lisboa assim que a operação foi tornada pública, para não afetar o normal funcionamento da Assembleia Municipal.
O que disse o PS
Ontem, o secretário-geral José Luís Carneiro recusou qualquer leitura política da operação e garantiu que o PS não é visado. “As autoridades judiciais comunicaram-nos que o PS não era visado nesta investigação“, afirmou. O novo dado do MP sobre o alegado pagamento indevido de quantias a dois suspeitos coloca essa posição sob maior pressão.