PR moçambicano quer proteção da criança para evitar que seja “escudo” do crime

O Presidente moçambicano pediu hoje ao sistema judicial para proteger as crianças e responsabilizar os adultos que as recrutam para o crime, referindo que a infância não pode ser usada como “escudo para redes criminosas”.

PR moçambicano quer proteção da criança para evitar que seja

“A infância não pode ser usada como escudo para redes criminosas, seja em contextos associados ao terrorismo, a exploração ilegal de recursos naturais e em outras formas de criminalidade organizada ou conexa”, disse Daniel Chapo, na abertura do ano judicial, em Maputo.

Segundo o chefe do Estado moçambicano, o sistema judicial ocupa neste contexto “um lugar central e insubstituível”, indicando que é nele que os direitos se materializam, onde as “violações são reparadas e que a confiança social na justiça se consolida”, pedindo, por isso, acesso efetivo à justiça, celeridade processual e decisões orientadas pelo superior interesse da criança.

“Aqui, o papel do sistema judicial é decisivo: proteger a criança, responsabilizar o adulto que a recruta e quebrar a cadeia que transforma a vulnerabilidade em arma”, disse Daniel Chapo, referindo ser fundamental o envolvimento das famílias, comunidade e confissões religiosas.

“Só assim podemos proteger as nossas crianças da prática de atos violentos e inibir o consumo de álcool e drogas com impacto nas escolas, agressão contra os professores e alguns casos de crimes de homicídios contra os seus progenitores ou tutores”, acrescentou o Presidente.

Chapo citou o Relatório de Indicadores Básicos do Inquérito Sobre Violência Contra a Criança e Jovens, que aponta que mais de 32% das meninas e 40% dos rapazes, entre os 18 e os 24 anos, sofreram algum tipo de violência antes dos 18 anos, e entre as vítimas, mais de 14% das meninas e 8% dos rapazes foram alvo de violência sexual.

O Presidente moçambicano citou ainda o Inquérito sobre o Orçamento Familiar (IOF 2022), que aponta que 16% das crianças estão afetadas pelo trabalho infantil, com destaque para a venda informal e o garimpo, referindo-se ainda ao Inquérito Demográfico de Saúde (IDS 2023), que indica que 48% das raparigas são vítimas de uniões prematuras.

Para o chefe do Estado, estes números representam vidas interrompidas, escolaridade perdida, maternidade precoce, danos físicos e psicológicos, bem como ciclos de pobreza multidimensional que se reproduzem, pedindo, por isso, a aplicação do decreto que indica a lista de trabalhos perigosos, a elevação da idade mínima de admissão ao trabalho para 18 anos e a aprovação da Lei de Prevenção e Combate às Uniões Prematuras para proteger menores.

“Entendemos que o quadro legal pode ser o mais perfeito, mas em nada nos servirá se a sua implementação não for eficaz. E é neste aspeto que o judiciário assume um papel preponderante, tomando decisões que concorram para o cumprimento, voluntário ou coercivo, da legislação sobre a criança”, concluiu o Presidente moçambicano, pedindo que os processos judiciais envolvendo crianças sejam conduzidos “com sensibilidade, confidencialidade e respeito à sua dignidade, evitando a revitimização”.

PME // VM

By Impala News / Lusa

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