Adicione a Impala como fonte preferida google share

Tragédia em Montemor-o-Velho: O fim do mistério que manteve o país em suspenso

O que começou como um desaparecimento inexplicável após uma consulta médica terminou da pior forma. O carro de Venâncio e Fátima foi localizado submerso na zona de Porto Godinho, revelando um desfecho fatídico marcado pelo mau tempo e pelas cheias que assolaram a região.

Tragédia em Montemor-o-Velho: O fim do mistério que manteve o país em suspenso

A pacata vila de Verride acordou nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, com a notícia que ninguém queria ouvir. O casal de idosos de Montemor-o-Velho, Venâncio (68 anos) e Maria de Fátima (65 anos), que se encontrava desaparecido há oito dias, foi encontrado sem vida. Os corpos estavam no interior da viatura em que seguiam, um Citroën Saxo verde, que ficou submerso devido às fortes inundações no Baixo Mondego.

Cronologia de um desaparecimento: 8 dias de angústia

Para compreender a dimensão desta tragédia, é necessário recuar ao momento em que o rasto do casal se perdeu.

Terça-feira, 10 de fevereiro: Venâncio e Fátima saem da sua residência em Verride para uma consulta médica de rotina em Coimbra. Segundo relatos de conhecidos, o casal terá ainda jantado na cidade antes de iniciar a viagem de regresso. Foi o último contacto visual com a família.
Quarta-feira, 11 de fevereiro: A filha do casal, estranhando a ausência de notícias e o telemóvel desligado, contacta vizinhos. O alerta oficial é dado à GNR, mas as condições meteorológicas adversas na região começam a dificultar as primeiras averiguações.
Sexta-feira, 13 de fevereiro: As buscas formais são intensificadas. Autoridades detetam o último sinal de telemóvel numa antena em Vila da Rainha, a cerca de 20 km de casa, numa zona de campos de arroz (Vale do Pranto) fustigada pelas cheias.
Fim de semana, 14 e 15 de fevereiro: Equipas de mergulhadores, drones e dezenas de operacionais da GNR e Bombeiros de Soure e Montemor-o-Velho batem o terreno. A subida do nível das águas do Mondego torna as operações perigosas e pouco eficazes.
Quarta-feira, 18 de fevereiro: Com a descida do caudal, a viatura é finalmente avistada em Porto Godinho, na fronteira entre a Figueira da Foz e Soure. A confirmação chega pouco depois: os dois corpos estavam no interior.

As cheias como armadilha mortal

As autoridades acreditam que o casal terá tentado atravessar uma estrada habitualmente utilizada, mas que estaria galgada pelas águas. A falta de visibilidade noturna e a força da corrente no Vale do Pranto terão sido fatais. Este caso recorda a perigosidade das zonas ribeirinhas em épocas de mau tempo severo, onde estradas familiares se transformam em armadilhas em poucos minutos.

Casos semelhantes que marcaram Portugal

Infelizmente, o desaparecimento de idosos em situações de vulnerabilidade ou isolamento é uma realidade recorrente no nosso país. Recentemente, a Impala acompanhou o caso do idoso desaparecido em Vila Nova de Foz Côa, que também mobilizou dezenas de populares antes de um desfecho trágico.

Em Verride, o sentimento é de choque. Venâncio e Fátima eram descritos como um casal unido e autónomo. A equipa da Impala endereça as mais sentidas condolências à família e amigos neste momento de profunda dor.

Adicione a Impala como fonte preferida google share