Procuradores moçambicanos denunciam ameaças à classe

A Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público (AMMMP) denunciou a existência de ameaças e intimidação aos juízes, um ano após o homicídio do procurador Marcelino Vilankulo.

Procuradores moçambicanos denunciam ameaças à classe

Maputo, 10 abr (Lusa) – A Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público (AMMMP) denunciou hoje a existência de ameaças e intimidação aos juízes, um ano após o homicídio do procurador Marcelino Vilankulo.


“Manifestámos o nosso repúdio pelas situações de intimidação contra os magistrados: sabemos dos riscos que corremos, mas estamos firmes e decididos [na luta contra a criminalidade], disse, em conferência de imprensa, o presidente da AMMMP, Eduardo Sumana.


Falando por ocasião do assassínio, a 11 de abril de 2016, de Marcelino Vilankulo, o presidente da AMMMP assinalou que a campanha de condicionamento da liberdade dos magistrados não irá resultar.


“Pode ser que consigam, isoladamente, ameaçar um ou outro magistrado, mas vão fracassar”, afirmou Eduardo Sumana, sem concretizar a origem das ameaças aos magistrados.


A AMMMP vai promover esta terça-feira, em Maputo, um seminário de reflexão em torno da segurança dos magistrados.


Marcelino Vilankulo, que estava afeto à cidade de Maputo, foi assassinado a tiro por desconhecidos na cidade da Matola, a cerca de oito quilómetros da capital moçambicana, quando seguia para casa na sua viatura.


Na altura, o magistrado tinha a seu cargo as investigações em torno de raptos em que supostamente está envolvido Danish Satar, sobrinho de Nini Satar, indivíduo em liberdade condicional após ter cumprido pena por envolvimento no homicídio, em 2000, do jornalista Carlos Cardoso.


Danish Satar foi deportado de Itália para Moçambique no final do ano passado, após ter saído do país em circunstâncias até agora desconhecidas, uma vez que se encontrava em liberdade provisória a aguardar o andamento do processo em que é indiciado de envolvimento em raptos.


Em 2014, Dinis Silica, um juiz que tinha em mãos processos relacionados com a onda de raptos em Maputo, foi morto a tiro por desconhecidos, em pleno dia na capital moçambicana.


Várias pessoas foram condenadas a pesadas penas de prisão por envolvimento em raptos, embora este continue a ser um crime relativamente frequente nalgumas cidades moçambicanas, sobretudo em Maputo.



PMA // EL

By Impala News / Lusa