Moçambique incluído em iniciativa da UE e da UA para combater resistência antimicrobiana
Moçambique é um dos oito países africanos que vão beneficiar de uma iniciativa da União Europeia e dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África (CDC África) para reforço dos laboratórios para combate à resistência aos antimicrobianos (RAM).
Segundo os CDC África, além de Moçambique, a iniciativa, com uma duração de quatro anos, irá abranger Camarões, Chade, Etiópia, Gabão, Serra Leoa, Uganda e Zimbábue.
O projeto, denominado “Avanço da Capacidade Regional Integrada dos Laboratórios para o Controlo da RAM” (ARILAC, em inglês), conta com o apoio da Sociedade Africana de Medicina Laboratorial (ASLM, em inglês).
A ARILAC pretende reforçar a capacidade dos laboratórios de microbiologia dos Estados-membros na vigilância da resistência antimicrobiana e no apoio aos cuidados clínicos.
Em comunicado, os CDC África salientam que “a resistência aos antimicrobianos continua a ser uma das ameaças mais prementes para a saúde pública mundial, com graves implicações para os sistemas de saúde, a segurança alimentar e a estabilidade económica”.
A União Africana e a União Europeia procuram “gerar dados fiáveis, representativos e oportunos” sobre a RAM, um termo que se refere à capacidade de bactérias, vírus, fungos ou parasitas resistirem aos medicamentos utilizados no tratamento de infeções.
De acordo com os CDC África, esta é considerada uma das principais ameaças globais à saúde pública.
Um estudo realizado pelos CDC África e pela ASLM revelou que apenas 1,3% dos mais de 50 mil laboratórios médicos analisados em 14 países africanos realizam testes bacteriológicos de rotina para identificar agentes patogénicos associados à resistência antimicrobiana.
Segundo a agência, esta situação deixa mais de 261 milhões de pessoas sem acesso a serviços de diagnóstico relacionados com a RAM.
O diretor interino do Centro de Diagnóstico e Sistemas Laboratoriais dos CDC África, Yenew Kebede, alertou que a falta de investimento poderá agravar a situação à medida que a população africana aumenta.
Por seu lado, o chefe de Política e Cooperação da delegação da União Europeia junto da União Africana, Gianluca Azzoni, afirmou que o projeto permitirá melhorar a deteção precoce da resistência antimicrobiana e reforçar a resposta sanitária no continente.
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By Impala News / Lusa