Rússia aguarda chegada de Kushner e Witkoff após acordo de paz entre EUA e Teerão

A Rússia aguarda a chegada dos enviados norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, na sequência da assinatura do acordo de paz entre Washington e Teerão, anunciou hoje o Kremlin.

Rússia aguarda chegada de Kushner e Witkoff após acordo de paz entre EUA e Teerão

“Esperamos que, após a assinatura do acordo com o Irão na sexta-feira, surja a oportunidade de dois representantes [da Casa Branca] que bem conhecemos — Witkoff e Kushner — virem a Moscovo”, afirmou à imprensa o conselheiro presidencial russo Yuri Ushakov.

O acordo entre Teerão e Washington deve ser assinado oficialmente na Suíça, mais precisamente na estância alpina de Burgenstock, perto de Lucerna, na sexta-feira, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, afirmou na segunda-feira que os Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiram durante uma chamada telefónica no domingo a chegada em breve a Moscovo dos enviados especiais.

A chamada entre os homólogos ocorreu no dia do 80.º aniversário de Trump.

Lavrov insistiu também que Moscovo está “comprometida com os acordos alcançados a 15 de agosto do ano passado no Alasca”, numa alusão à cimeira entre Putin e Trump.

“Putin afirmou em várias ocasiões que aceitou a proposta de Trump. Nós, naturalmente, esperamos que essa posição, que foi consensual com base na proposta norte-americana, se concretize”, afirmou.

A Rússia nunca explicou quais foram os acordos alcançados em Anchorage, embora a imprensa sugira que se tratava do controlo do Donbass por parte de Moscovo, que renunciaria a tomar na totalidade as regiões meridionais de Kherson e Zaporijia.

Ushakov tinha afirmado no domingo que a conversa entre Putin e Trump “centrou-se principalmente na situação referente ao acordo em elaboração entre os Estados Unidos e o Irão”.

Ushakov também adiantou que foi “acordado que os representantes especiais do Presidente norte-americano, Steve Witkoff e Jared Kushner, envolvidos de perto nos assuntos iranianos, regressariam em breve à Rússia”.

Sobre a Ucrânia, o líder republicano defendeu hoje, à margem da cimeira do G7 em Evian, que Moscovo devia chegar a um acordo com Kiev para pôr um fim ao conflito.

“A Rússia devia chegar a um acordo. A Rússia perdeu um número enorme de pessoas, assim como a Ucrânia. No mês passado, entre os dois países, perderam-se 35 mil soldados. Isto está a acontecer mês após mês”, disse Trump, ladeado pelo emir do Qatar, Tamim bin Hamad al Thani, à margem da cimeira.

“Conversei com o Presidente Putin, no domingo, e a situação continua praticamente na mesma. Eles ainda estão a combater, ainda estão a perder soldados”, continuou, acrescentando não ter acontecido “nada parecido desde a Segunda Guerra Mundial”.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que também falou com Trump por telefone no domingo, terá proposto aos aliados de Kiev que convidassem Putin para a cimeira do G7, aproveitando a presença de todas as partes interessadas em participar numa eventual negociação de paz, algo que não se concretizou.

Nos últimos meses, vários ciclos de negociações para encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia sob a égide dos Estados Unidos não conseguiram aproximar Kiev e Moscovo de um acordo.

Este processo foi ficando cada vez mais estagnado à medida que a atenção de Washington se voltava para a guerra contra o Irão.

A última visita de Witkoff e Kushner à Rússia teve lugar em janeiro passado.

 

TAB (ANP/JH) // EJ

Lusa/Fim

By Impala News / Lusa

Adicione a Impala como fonte preferida google share