El Niño poderá levar Hong Kong a bater recordes de calor em 2026 e 2027

A agência meteorológica de Hong Kong previu que o fenómeno El Niño poderá levar a região chinesa a registar novos recordes máximos de temperatura este ano e em 2027.

El Niño poderá levar Hong Kong a bater recordes de calor em 2026 e 2027

Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Observatório de Hong Kong confirmou que o El Niño está a formar-se e deverá continuar a afetar o clima na região até ao início do próximo ano.

O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente entre nove e 12 meses.

O Observatório prevê que este ano o fenómeno terá “uma intensidade que varia de forte a muito forte” e recordou que um El Niño intenso “aumentam geralmente a probabilidade de temperaturas anormalmente elevadas”.

“Sob o efeito combinado do aquecimento climático, a temperatura média em Hong Kong deverá ser significativamente mais elevada este ano e no próximo, podendo resultar em temperaturas recorde”, alertou a agência.

O último El Niño, em 2023 e 2024, fez desses dois anos os mais quentes já registados a nível mundial. Esse fenómeno cíclico tem um efeito dominó no clima global por vários meses.

Também em Hong Kong os últimos três El Niño, em 1997-1998, 2014-2016 e 2023-2024 levaram a antiga colónia britânica a quebrarem recordes de calor, recordou o Observatório.

No final de maio, a agência já tinha avisado que havia “uma grande probabilidade” de 2026 entrar para o top 10 dos anos mais quentes de que há registo em Hong Kong.

O diretor-adjunto interino do Observatório, Choy Chun-wing alertou ainda que o El Niño aumenta a probabilidade das tempestades tropicais que passem pelo sul da China este ano se transformarem em supertufões.

O Observatório previu que a região deverá ser afetada por entre quatro e sete tempestades tropicais, menos do que as 14 registadas em 2025.

Os tufões são fenómenos recorrentes no Sudeste Asiático, quando as águas quentes do oceano Pacífico favorecem a formação de ciclones, e o sul da China é atingido todos os anos por dezenas dessas tempestades tropicais.

No final de março, a Direção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau não excluiu a possibilidade da cidade ser afetada por supertufões semelhantes ao Ragasa, a mais poderosa tempestade registada no planeta em 2025.

Segundo um estudo publicado em 2024, os tufões na região estão a formar-se mais perto da costa do que no passado, intensificando-se mais rapidamente e permanecendo mais tempo sobre terra, em consequência das alterações climáticas.

De acordo com cientistas, as alterações climáticas estão a provocar fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e intensos em todo o mundo.

VQ (JW/CAD) // APN

By Impala News / Lusa

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