Líderes dos G7 reúnem-se em França para debater crises na Ucrânia e Médio Oriente

Líderes das sete economias mais desenvolvidas do mundo (G7) reúnem-se entre segunda e quarta-feira na cidade francesa de Evian para procurar convergências sobre os desequilíbrios globais e as crises na Ucrânia e Médio Oriente.

Líderes dos G7 reúnem-se em França para debater crises na Ucrânia e Médio Oriente

A cimeira vai reunir os mandatários de França — que preside atualmente ao grupo -, Canadá, Alemanha, Itália, Reino Unido e Japão, mas os resultados esperados dependerão essencialmente do imprevisível Presidente norte-americano, Donald Trump, que chegará à cidade, convertida numa fortaleza com quase 15 mil agentes de segurança, na segunda-feira, um dia depois de fazer 80 anos.

Trump espera levar concluído o acordo com o Irão para o fim da guerra, que admitiu que poderá ser assinado ainda este fim-de-semana na Europa pelo seu vice-presidente, JD Vance, embora a parte iraniana ainda não tenha confirmado tal entendimento.

Os restantes líderes querem assegurar que podem definir com o Presidente norte-americano objetivos comuns para diminuir o conflito iraniano, após o início dos ataques israelo-americanos em 28 de fevereiro, mas também na Faixa de Gaza e Líbano, bem como para reabrir o estreito de Ormuz.

Na terça-feira vão juntar-se no almoço os líderes do Egito, Emiratos Árabes Unidos e Qatar, enquanto o príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman, não estará presente devido a “compromissos anteriores”.

Sobre a Ucrânia, os líderes europeus vão insistir em manter o apoio político, financeiro e militar, que atualmente assumem quase inteiramente, e em garantir o envolvimento dos Estados Unidos.

Na presença do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o G7 irá também discutir na manhã de terça-feira como incentivar negociações diretas entre Kiev e Moscovo para alcançar uma paz “sólida e duradoura”, sem concessões territoriais iniciais ou o levantamento de sanções.

As discussões vão centrar-se nas condições do diálogo, que devem começar pela linha da frente atual e, assim, que Moscovo deixe de pedir à Ucrânia que ceda o Donbass (leste).

A presidência francesa do G7 tem como uma das prioridades fomentar a convergência para reduzir os desequilíbrios económicos globais e o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, quer dar um novo impulso às relações entre o G7 e a China.

Paris não esconde a sua preocupação com o excedente comercial recorde da China e a extrema dependência das sete economias avançadas das cadeias de abastecimento chinesas para minerais críticos, terras raras e certos componentes estratégicos.

Além disso, a China é um concorrente em inteligência artificial e também se tornou inevitável em várias outras questões, como o clima.

França também quer “renovar profundamente” o G7 com o apoio de parceiros como o Brasil, Índia e Quénia e com a participação de líderes de empresas tecnológicas, com quem pretende abordar a regulação digital, e que se juntarão à cimeira no almoço de quarta-feira.

Com os empresários, os líderes do G7 irão também discutir a proteção da criança nas redes sociais, uma questão que a presidência francesa espera captar numa das sete declarações com objetivos específicos que está a preparar como culminação da cimeira, para além do tráfico de drogas, investigação do cancro, investimento em países vulneráveis e minerais críticos, fundamentais para a soberania económica e outra fonte de controvérsia com a China.

A presidência francesa também publicará declarações sobre as crises no Médio Oriente e na Ucrânia, indicou o Eliseu.

França e Suíça prepararam um dispositivo de máxima segurança para prevenir incidentes como os do G8 de 2003 em Evian. Quase 16.000 soldados, incluindo polícias, militares e equipas de emergência, serão destacados, juntamente com meios aéreos, drones e sistemas antimísseis para criar uma bolha de proteção.

A Suíça também contribuirá com cerca de 4.000 militares em coordenação com a França.

Perante um cenário internacional extremamente tenso e com dois ataques anteriores falhados contra Trump, as autoridades tentam prevenir riscos terroristas, sabotagem, ciberataques e motins.

A operação envolve fortes restrições à circulação e aos controlos fronteiriços, com vigilância reforçada no protesto No-G7 em Genebra no domingo, após o coletivo ter cancelado as atividades planeadas do lado francês.

JH // APN

By Impala News / Lusa

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