“É incompreensível que o Estado não tenha vendido 100%” do Novo Banco — Maria Luís Albuquerque
A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque criticou os moldes da operação de venda do Novo Banco à norte-americana Lone Star, que implicam a manutenção de uma fatia de 25% na esfera pública.
Lisboa, 16 mai (Lusa) – A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque criticou hoje os moldes da operação de venda do Novo Banco à norte-americana Lone Star, que implicam a manutenção de uma fatia de 25% na esfera pública.
“É incompreensível que o Estado não tenha vendido 100% do Novo Banco”, afirmou a deputada do PSD durante a sua audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA).
A responsável respondia às questões levantadas por Ana Domingos, também deputada do PSD, sobre a manutenção de uma participação de 25% do Novo Banco por parte do Fundo de Resolução.
Segundo Maria Luís Albuquerque, ao contrário do que disse o primeiro-ministro, António Costa, esta percentagem vai resultar “com maior probabilidade em perdas do que em ganhos” futuros.
A deputada da oposição desmontou ainda a tese de que a manutenção de uma participação de 25% no Novo Banco permite dar credibilidade à instituição.
“Ou o comprador tem credibilidade suficiente para comprar um banco desta importância ou não tem”, vincou.
Questionada sobre a existência de propostas melhores para a compra do Novo Banco, Maria Luís Albuquerque jogou à defesa.
“Não tenho informação que me permita saber se é verdade. Mas tem que ser apurado quais as propostas disponíveis e por que é que esta foi escolhida. Não se pode permitir que fique a suspeita de que houve uma venda que não defendeu as melhores condições”, sublinhou.
Sobre as condições criadas para que os bancos (que contribuem para o Fundo de Resolução) amortizem em 30 anos o empréstimo concedido à entidade que (ainda) detém 100% do Novo Banco, a deputada do PSD mostrou-se crítica.
“Aquilo que se prevê receber dos bancos é muito inferior ao que custa aos contribuintes. Isso foi tudo o que nós tentamos evitar”, comentou, mostrando-se desagradada com os moldes da venda acordada com a Lone Star.
“Implica mais riscos para os contribuintes e menos custos para os bancos. E vai em contraciclo com o resto da Europa, onde há a tendência de separar o risco do soberano do risco do setor financeiro. Estamos insatisfeitos”, rematou.
DN/SP // CSJ
By Impala News / Lusa