S&P admite subir ‘rating’ do BCP se aumento de capital for bem-sucedido

A agência de avaliação de crédito S&P admite a possibilidade de aumentar o ‘rating’ do BCP caso este complete com sucesso o aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros, anunciado na semana passada.

S&P admite subir 'rating' do BCP se aumento de capital for bem-sucedido

Lisboa, 16 jan (Lusa) — A agência de avaliação de crédito S&P admite a possibilidade de aumentar o ‘rating’ do BCP caso este complete com sucesso o aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros, anunciado na semana passada.


Numa nota de análise hoje divulgada, a Standards & Poor’s (S&P) informa que pôs com perspetiva positiva a nota de crédito do Millennium BCP, com possibilidade de subir – atualmente está em ‘B+’ (grau não investimento ou ‘lixo’) –, caso corra bem o aumento de capital anunciado pela instituição liderada por Nuno Amado.


“Se for bem sucedido, consideramos que poderá melhorar a solvabilidade do banco”, diz a S&P, que recorda que o BCP pretende utilizar o produto para pagar os 700 milhões de euros de capital contingente (‘CoCos’) que falta devolver ao Estado, pelo aumento de capital feito em 2012, e reforçar os seus níveis de solvência.


Para a S&P, a conclusão com êxito da operação significa que o banco tem “apoio dos investidores ao seu plano estratégico” e que fica em condições de voltar a distribuir dividendos aos acionistas, o que pode “ajudar a restaurar a confiança dos credores na sua capacidade de atingir objetivos estratégicos e financeiros”, sobretudo na capacidade de voltar à rentabilidade e reduzir a exposição a ativos problemáticos.


O BCP anunciou na segunda-feira da semana passada um aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros, superior ao seu valor em bolsa.


Após a conclusão com sucesso desta oferta e o reembolso integral dos ‘CoCos’ (dívida que pode ser transformada em ações em determinadas circunstâncias), o banco estima que o rácio de solvabilidade ‘common equity tier 1’ (CET1) situar-se-á nos 11,4% (em referência a 30 de setembro de 2016).


Já é conhecido que o acionista chinês Fosun quer aproveitar para ficar com 30% do BCP, face aos 16,7% que detém desde final de 2016, sendo que a angolana Sonangol tem também autorização para aumentar a sua participação no capital do banco para aproximadamente 30%, mas não se sabe se vai exercer essa opção.


Na apresentação aos investidores do aumento de capital, o BCP perspetiva que voltará a distribuir dividendos aos acionistas em 2019, referindo que quer distribuir 40% dos resultados que obterá em 2018.


Este aumento de capital contará com um consórcio de bancos internacionais que garantem a operação, liderado pela Goldman Sachs International e pelo J.P. Morgan Securities, e que conta ainda com o Credit Suisse Securities, a Mediobanca e a Merrill Lynch International, sendo o preço de subscrição da oferta fixado em 9,4 cêntimos por ação.


As ações do BCP têm estado pressionadas desde o anúncio de aumento de capital e hoje cederam 7,58% para 0,80 euros na bolsa de Lisboa.



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