Mandado de captura para ex-comissário grego da UE em escândalo de subornos “Qatargate”
As autoridades belgas emitiram hoje um mandado de captura para o antigo comissário europeu Dimitris Avramopoulos por envolvimento num esquema de subornos entre Qatar e Marrocos no Parlamento Europeu em 2022.
Comissário da União Europeia (UE) para os Assuntos Internos entre 2014 e 2019, Avramopoulos reagiu assegurando não ter tido qualquer envolvimento nessa alegada rede de subornos, noticiou a imprensa grega.
“Nunca tive qualquer relação com este caso”, declarou o atual deputado do parlamento da Grécia pela Nova Democracia (ND), o partido conservador do primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, num comunicado.
Segundo o diário grego Kathimerini, o antigo comissário da UE foi acusado pelas autoridades belgas de participar numa organização criminosa, atividade que lhe terá valido 73 mil euros, recebidos da organização não-governamental (ONG) Combating Impunity (Combate à Impunidade), fundada em 2019 pelo ex-eurodeputado italiano Pier-Antonio Panzeri, figura principal do escândalo.
Avramopoulos garantiu que o seu envolvimento com a ONG “foi completamente legal, auditado, aprovado, declarado e tributado”.
“Qualquer tentativa por parte das autoridades belgas de levantar a questão e implicar o meu nome em qualquer assunto relacionado com [a ONG] Combate à Impunidade (…) é arbitrária, inaceitável, suspeita e receberá o devido tratamento por todos os meios judiciais”, sublinhou.
Quando o escândalo rebentou, em 2022, o ex-comissário disse que não estava envolvido em qualquer trabalho “de caráter executivo” ou “de gestão” na ONG e que era apenas um dos vários políticos que trabalhavam no Conselho de Honra da organização.
A Justiça belga já remeteu o processo contra o antigo comissário europeu para o Ministério Público de Atenas, embora este não possa, por enquanto, ser detido, uma vez que usufrui de imunidade parlamentar, indicou o jornal Kathimerini.
Na mesma nota, o político conservador grego afirmou que não vai invocar a imunidade parlamentar e vai solicitar “que o assunto seja investigado a fundo”, ao mesmo tempo classificando como infundadas as acusações de que é alvo.
O escândalo do “Qatargate” rebentou em dezembro de 2022, quando a polícia belga apreendeu mais de um milhão de euros em dinheiro vivo durante buscas nas residências em Bruxelas da então vice-presidente do Parlamento Europeu, a grega Eva Kaili, do seu companheiro e assistente, Francisco Giorgi, e do ex-eurodeputado italiano Pier-Antonio Panzeri.
Panzeri, Kaili e Giorgi, juntamente com os ex-eurodeputados italianos Niccolò Figà-Talamanca, Marc Tarabella e Andrea Cozzolino, foram acusados de corrupção, branqueamento de capitais e de pertença a uma organização criminosa que alegadamente recebeu subornos do Qatar e de Marrocos em troca da promoção dos interesses destes países na UE.
O caso não apresentou avanços nos últimos meses e continua a aguardar julgamento.
ANC // EJ
By Impala News / Lusa