Rita Salema “Fui muito amada e agora estou solteira. Para sempre” [Entrevista Exclusiva]

É uma das atrizes mais populares da sua geração. Os olhos brilhantes e a gargalhada fácil são a sua imagem de marca, mas confessa que adora fazer papéis dramáticos. Separou-se de Almeno Gonçalves há 33 anos e confessa que nunca deixou de o amar. Talvez, por isso, não vislumbre a presença de alguém na sua cama para lhe aquecer os pés. Há sempre uma boa botija de água quente…

Estás prestes a fazer 60 anos. Como é que olhas para essa marca?

Com muita naturalidade. Sou uma mulher de bem com a vida, bem resolvida. Vou fazer 60 em novembro. No dia do aniversário do meu irmão, a 6 de novembro. Temos oito anos de diferença, portanto somos mais ou menos da mesma geração. Crescemos a cantar as mesmas músicas.

Lembras-te de cantar “Fui visitar a minha tia a Marrocos”?

Claro que lembro [risos]. Aliás, eu até fiz o programa que se chamava Fui Visitar a Minha Tia a Marrocos.

Eu sei. Foi por isso que comecei esta entrevista de forma tão estranha. Na tua biografia oficiosa [Wikipedia], que é bastante completa, diz que o Fui Visitar a Minha Tia a Marrocos foi a tua estreia televisiva.

[pausa] Não sei se foi exatamente a estreia. Acho que ainda comecei antes, antes do teatro. Fiz uma publicidade qualquer e participei num programa chamado Oficina de Drama, com o João Mota, na RTP, realizado pelo Fernando Medeiros. Eram aulas de teatro na televisão. Penso que isso aconteceu antes do Fui Visitar a Minha Tia a Marrocos.

Quero perceber se te lembras mesmo da música…

[ri-se e entra no tom] “Fui visitar minha tia a Marrocos, hip hop, fui visitar minha tia a Marrocos, hip hop…” [gargalhada] Claro que lembro.

Olha, eu virava a cadeira [referência ao programa de talentos The Voice].

Nem sabia que ainda me lembrava disto. As coisas que guardamos da nossa infância.

Lá voltaremos. Passaram 40 e picos anos e aqui estás, agora no Teatro da Trindade, com A Gaivota, de Tchekhov.

É verdade. É uma pequena participação, mas a peça tem um elenco de luxo, com a Alexandra Lencastre como protagonista. Isto foi um presente que o meu querido Diogo [Infante, diretor artístico do Trindade].

Como está a correr o espetáculo? Sempre esgotado.

Esgotadíssimo. Está a correr muito bem. Sou suspeita, claro, porque estou a gostar imenso de fazer. Mas há uma coisa que adoro neste trabalho: tenho um papel pequenino e isso dá-me o privilégio de assistir ao espetáculo todas as noites. Vejo os meus colegas em palco e isso é um presente. Os mais velhos são brilhantes, toda a gente sabe, mas o elenco mais jovem – a Margarida, a Ritinha, o André e também o Flávio – têm uma generosidade enorme e uma qualidade que me emociona. Há monólogos daqueles miúdos que me deixam completamente rendida.

Com a tua experiência continuas a aprender com eles?

Todos os dias. E não é conversa feita. Eu dou aulas e faço muitos exercícios com os alunos. No fundo, cada espetáculo é também um exercício permanente. Nenhuma noite é igual. O público muda todos os dias e isso altera tudo. Uma deixa sai de forma diferente, o colega responde de outra maneira, a energia da sala muda. O teatro está vivo.

(…)

Como foi educar a tua filha numa fase da tua vida pessoal que também foi conturbada, dada a tua separação do pai, o ator Almeno Gonçalves?

[pausa] Olha, se me deixares, gostava de falar um bocadinho sobre isso. Porque há muitos mal-entendidos em relação à minha relação com o Meno. Nós separámo-nos quando eu estava grávida de cinco meses. Foi há 33 anos. Mas sempre nos demos bem. Nunca deixei de o amar, nem eu nem a Kika.

Mas não é essa a ideia pública da vossa relação.

Não, por isso é que eu decidi contar toda a verdade nesta entrevista contigo [sorriso]. As pessoas inventam muitas histórias. Dizem coisas absurdas, como que ele me batia. Isso nunca aconteceu na vida. Aliás, nós continuámos a trabalhar juntos durante anos depois da separação. E há uma coisa que pouca gente sabe: uma semana depois de nos separarmos, o Meno bateu-me à porta e disse: “Rita, não tenho casa. Posso ficar aqui uns tempos?”. E ficou a viver em minha casa durante mais de um ano. Em quartos separados, claro. Ele já tinha namorada, mas vivemos ali com toda a normalidade. Sempre fomos muito amigos.

Leia a entrevista completa na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

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Texto: Nuno Azinheira; Fotos: Zito Colaço

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