Tribunal internacional vai iniciar audições sobre crimes imputados a ex-Presidente filipino
O Tribunal Penal Internacional (TPI) inicia na segunda-feira as audições do julgamento do ex-presidente filipino Rodrigo Duterte, de 80 anos, por alegados crimes realizados durante a sua guerra contra as drogas nas Filipinas.
No final de quatro dias de audiências, o tribunal de Haia determinará se o antigo líder filipino, acusado de crimes contra a humanidade, será julgado.
Duterte foi hoje autorizado pelo Tribunal a estar ausente das audições, o que tinha pedido pelo seu advogado em novembro.
Após os quatro dias de audiências, o Tribunal terá 60 dias para emitir a sua decisão. Os procuradores do TPI acusaram Duterte de três acusações de crimes contra a humanidade, acusando-o de estar envolvido em pelo menos 76 assassinatos ligados à sua “guerra contra as drogas”, que terá provocado vários milhares de vítimas.
O antigo chefe de Estado foi detido em Manila em 11 de março de 2025, levado para os Países Baixos nessa mesma noite e, desde então, está detido na prisão de Scheveningen, a uma curta distância do Mar do Norte.
A primeira acusação refere-se ao alegado envolvimento de Duterte como cúmplice em 19 assassinatos cometidos entre 2013 e 2016, quando era presidente da Câmara de Davao, uma das principais cidades das Filipinas, situada na parte sul do arquipélago.
A segunda acusação refere-se a 14 assassinatos de alegados “alvos de alto valor” em 2016 e 2017, quando Duterte era presidente.
A terceira acusação diz respeito a 43 homicídios cometidos em todo o país durante operações de “limpeza” entre 2016 e 2018, tendo como alvo suspeitos de consumo ou tráfico de droga.
Duterte nega as acusações, disse o seu advogado, Nicholas Kaufman.
O antigo presidente “deplora e lamenta as mortes de pessoas que foram vítimas de crimes relacionados com drogas, mas nega qualquer ligação com as mesmas”, disse Kaufman.
“Ele nega a existência de uma política para assassinar alegados suspeitos, criminosos ou consumidores de drogas, como alega a acusação”, acrescentou o advogado.
Os grupos de defesa dos direitos humanos acreditam que a repressão ligada à campanha antidroga de Duterte levou à morte de dezenas de milhares de pessoas, na sua maioria pobres, mortas pela polícia e por grupos de vigilantes, muitas vezes sem qualquer evidência de que tivessem ligação com o mundo da droga.
CSR// APN
By Impala News / Lusa