Sánchez fala a deputados espanhóis com agenda marcada por casos judiciais

O primeiro-ministro de Espanha vai hoje ao parlamento nacional falar sobre “a situação política” no país, marcada por vários casos e suspeitas de corrupção que envolvem dirigentes socialistas e familiares do líder do Governo.

Sánchez fala a deputados espanhóis com agenda marcada por casos judiciais

Pedro Sánchez vai dirigir-se aos deputados a seu pedido, dois dias depois de um dos seus antigos ministros e “braço direito”, José Luis Ábalos, ter sido condenado a 24 anos de prisão por corrupção quando estava no Governo.

Por causa da condenação de José Luis Ábalos, ministro dos Transportes entre 2018 e 2021, Sánchez voltou esta semana a ouvir pedidos de demissão e de marcação de eleições por parte da oposição.

Na terça-feira, na primeira declaração pública após a condenação do antigo ministro, Pedro Sánchez disse que pretende continuar a governar “apesar de todas as dificuldades e pedras no caminho” para “melhorar a vida das pessoas, para aumentar e consolidar direitos sociais e para construir uma Espanha mais justa e melhor”.

A atual legislatura espanhola termina em 2027 e o primeiro-ministro e líder do Partido Socialista Espanhol (PSOE) tem dito que só haverá eleições no próximo ano.

Em Espanha, a dissolução do parlamento e convocatória de eleições é prerrogativa do Conselho de Ministros, uma vez que o chefe de Estado, o Rei, não tem esse poder.

O Governo pode também ser substituído com a aprovação de uma moção de censura pelo parlamento, algo com que o Partido Popular (PP, direita) tem recusado avançar por falta de apoios suficientes.

Apesar de dois partidos conservadores da ‘geringonça’ que viabilizou o atual Governo de Sánchez em 2023 já terem pedido também a antecipação das eleições previstas para 2027, recusam associar-se a uma moção de censura encabeçada pelo PP, principal força da oposição espanhola.

O argumento do Partido Nacionalista Basco (PNV) e do Juntos pela Catalunha (JxCat) é que uma moção de censura do PP contará com a extrema-direita do Vox, com quem os populares têm negociado executivos regionais. 

Em Espanha, as moções de censura são “construtivas”: quando são aprovadas, quem as encabeça passa de imediato a ser primeiro-ministro, sem que haja eleições de forma automática.

 Por causa do caso de Ábalos e de outros, o primeiro-ministro reconheceu nos últimos meses haver “indícios muito graves” de corrupção envolvendo ex-dirigentes do PSOE, mas tem reiterado que o partido que lidera é “uma organização limpa” e não há suspeitas de financiamento ilegal.

Além de casos com indícios de corrupção, nas últimas semanas juntou-se uma investigação judicial a uma antiga militante do PSOE, Leire Diez, com suspeitas de ter havido também dentro do partido uma espécie de operação que tentaria interferir ou desprestigiar investigações policiais e do Ministério Público que envolvem familiares de Sánchez ou socialistas. 

MP // SCA

By Impala News / Lusa

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