Responsáveis de Teerão dizem ter melhores intenções para negociar
Os representantes da República Islâmica do Irão, que vão ter segunda ronda de negociações com os Estados Unidos da América (EUA) na terça-feira, em Genebra, anunciaram “iniciativas reais” de boa-fé, mas esperando “um acordo justo e equilibrado”.
“Vim a Genebra com iniciativas reais para alcançar um acordo justo e equilibrado. Aquilo que não está, de todo na agenda: rendição face a ameaças”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abas Araqchi, na plataforma digital X, que chegou de madrugada àquela cidade suíça.
A comitiva do Irão vai reunir-se hoje com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, e restante equipa para dialogarem sobre o programa nuclear daquele país do Médio Oriente.
Grossi tem pedido para que o Irão volte a permitir inspeções regulares às suas instalações de produção de energia nuclear, bombardeadas por Israel e EUA na guerra de 12 dias de junho de 2025.
O chefe da diplomacia iraniana anunciou também que vai encontrar-se com o seu homólogo de Omã, Badr bin Hamad al Busaidi, o mediador das negociações, antes de encetar as conversações com os representantes de Washington.
No domingo, outro diplomata iraniano, Majid Takht Ravanchi, declarou que Teerão está disposto a chegar a um acordo se os EUA mantiverem uma postura honesta e leal, mas somente centrado nos assuntos da energia nuclear, sem ceder no que toca ao programa de mísseis balísticos, por exemplo.
Ravanchi disse que há disponibilidade para “examinar compromissos”, incluindo a baixa do enriquecimento de urânio para 60% – o uso militar desta forma de energia ronda os 90% – se os EUA também estejam abertos a falar do fim das sanções económico-financeiras.
Ainda no domingo, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, condicionou um acordo entre Irão e os norte-americanos ao limite de 300 quilómetros de alcance dos mísseis balísticos iranianos, além do desmantelamento de todo o programa de enriquecimento de urânio.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reconheceu que “é muito difícil” chegar a uma acordo com os responsáveis de Teerão, mas ressalvou que a Administração de Donald Trump dá prioridade à negociação diplomática, sendo que tem havido uma reforço de meios militares norte-americanos no golfo Pérsico, ultimamente.
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By Impala News / Lusa