PSD acusa Governo de viver “à custa da herança”, Costa nega e lembra reversões
O líder parlamentar do PSD acusou o Governo de viver “à custa da boa herança” deixada pelo anterior executivo e da conjuntura internacional, o que foi desmentido pelo primeiro-ministro, que salientou a reversão de muitas políticas de PSD/CDS-PP.
Lisboa, 23 mai (Lusa) – O líder parlamentar do PSD acusou hoje o Governo de viver “à custa da boa herança” deixada pelo anterior executivo e da conjuntura internacional, o que foi desmentido pelo primeiro-ministro, que salientou a reversão de muitas políticas de PSD/CDS-PP.
No debate quinzenal com António Costa na Assembleia da República, Luís Montenegro voltou à ideia de que a austeridade foi introduzida ainda pelo Governo socialista de José Sócrates e desafiou o Governo a ser mais reformista, um dia depois de a Comissão Europeia ter recomendado a saída do país do Procedimento por Défice Excessivo (PDE).
“Tem uma boa herança e tem uma boa conjuntura e tem de tomar uma opção: se quer viver à conta dessa herança e dessa conjuntura e deixar as coisas acontecer ou projetar o país para um ciclo de crescimento verdadeiramente duradouro”, disse.
Na resposta, António Costa salientou que não só o Governo atual não deu continuidade à política do anterior executivo como, em muitos casos, até a reverteu.
“Passou aqui um ano inteiro a dizer que com as reversões que tínhamos adotado não só íamos destruir o que tinham feito como íamos falhar todos os objetivos e vinha aí o cataclismo e até o diabo. Invertemos a vossa política, e em vez do diabo saímos do PDE, não é o paraíso, mas seguramente não é o inferno”, ripostou o primeiro-ministro.
Costa assegurou que o Governo está a fazer reformas, mas admitiu que talvez não as reformas que a bancada do PSD desejaria.
“As reformas de que a sua bancada gosta são as que fazem parte da cartilha que conduziu o país ao impasse”, acusou, apontando que a direita gostaria, por exemplo, de mais alterações à lei laboral que aumentasse a precariedade.
Em resposta, Luís Montenegro pediu a distribuição ao primeiro-ministro do que considerou ser “a verdadeira bíblia da austeridade antes da ‘troika'”, uma resolução do Conselho de Ministros aprovada a 27 de dezembro de 2010, quando era primeiro-ministro o socialista José Sócrates.
“É uma boa cartilha, vai conseguir encontrar nela a diminuição das prestações sociais, a diminuição das remunerações da administração pública, a redução dos abonos de família ou a não atualização de outros abonos sociais”, atacou, considerando que foi esta “bíblia da austeridade socialista” que trouxe a ‘troika’ a Portugal.
SMA // JPS
By Impala News / Lusa