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PS aguarda por proposta mas diz que 10 milhões de euros é muito elevado para dispensar visto prévio do TdC

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu hoje que é preciso conhecer a proposta concreta de reforma do Estado, embora considere que os valores conhecidos para dispensar visto prévio do Tribunal de Contas são “muito elevados”.

PS aguarda por proposta mas diz que 10 milhões de euros é muito elevado para dispensar visto prévio do TdC

Em entrevista à agência Lusa, o líder socialista remeteu ainda para Tiago Antunes o anúncio de eventualmente se voltar a sujeitar a votação do parlamento para o cargo de Provedor de Justiça, enaltecendo a sua independência e apontando que o seu nome não sofreu reparos ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e à liderança da bancada do PSD.

Sobre a proposta do Governo de isentar de visto do Tribunal de Contas contratos até 10 milhões de euros, no âmbito da reforma do Estado, que na semana passada o executivo apresentou aos partidos com assento parlamentar, Carneiro disse ainda não ter conversado com o presidente do grupo parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, sobre o tema, que ainda não tem proposta formal.

“Nós estamos à espera de conhecer a proposta do Governo. Até agora só verificámos manifestação de intenções no espaço público. É preciso conhecer a proposta. Que todos reconhecem que é necessário desburocratizar os termos dos processos de decisão, por forma a dar celeridade ao investimento público, isso todos temos a consciência. Quem teve responsabilidades executivas, tem essa consciência. Agora, depende em que termos é que vai ser feito”, sustentou.

“Por exemplo, qual é o limite abaixo do qual está isento o visto. Por exemplo, parece-me que é um ponto crítico. Parece-me que os valores que apareceram no espaço público são valores muito elevados”, apontou.

Para José Luís Carneiro, é importante ouvir “quem tem tido responsabilidades”, nomeadamente na administração local.

O secretário-geral do PS reconhece “que é necessário acelerar os procedimentos da contratação pública”, porque, seja na administração central ou local, é possível que, entre o planeamento de uma obra e o seu início, passem dois ou três anos, quando os eleitos são avaliados nas urnas ao fim de quatro anos.

“E é também pela falta de resposta atempada aos problemas das pessoas que muitas das vezes as pessoas deixam de confiar nos responsáveis políticos. E, portanto, é necessário relançar a confiança”, sustentou.

Sobre o antigo secretário de Estado de governos socialistas Tiago Antunes, que falhou no dia 16 de Abril a eleição para Provedor de Justiça, Carneiro quis salientar que o considera uma “personalidade de grande independência, de grande isenção e com imparcialidade e, de grande sentido de interesse público”.

“Desde a primeira hora, no diálogo que tivemos com o PSD, quer com o primeiro-ministro, quer com o líder parlamentar, particularmente com o primeiro-ministro, em momento algum houve uma apreciação do seu perfil diferente daquela que estou a fazer agora. O resultado da votação foi aquele que é conhecido”, afirmou.

Tiago Antunes obteve 104 votos favoráveis num total de 230 deputados, falhando a eleição que exige uma maioria qualificada de dois terços, que seria alcançada com 154 votos a favor.

“É uma distância ainda grande. Não quero fazer juízos de valor, porque cada deputado é titular de uma parcela da soberania e exerce naturalmente o seu voto, pese embora as orientações da bancada, exerce muitas das vezes o seu voto de forma muito livre e muito autónoma”, considerou.

“Espero que assim tenha sido, espero que esta leitura benévola corresponda àquilo que se tenha efetivamente passado. Agora há uma coisa que eu posso dizer, é que de facto o PSD não conseguiu fazer cumprir aquilo que tinha sido um compromisso assumido por parte da liderança parlamentar perante a nossa liderança parlamentar. O mesmo é dizer também que foi, em certa medida, desrespeitada a vontade do próprio primeiro-ministro, que em momento algum colocou em causa o perfil da pessoa que o Partido Socialista apresentou para se sujeitar ao escrutínio”, sustentou.

O secretário-geral do PS escusou-se ainda a extrapolar para outras eleições no parlamento, nomeadamente a dos juízes para o Tribunal Constitucional, o que se passou com a eleição para o Provedor de Justiça.

Sobre uma possível revisão da Constituição realizada à direita, durante a atual legislatura, José Luís Carneiro insistiu na ideia de que a lei fundamental não é um entrave ao desenvolvimento do país.

“Quando a direita entender trazer essa proposta, que a traga. Nós olharemos para ela, e também, naturalmente, como já estava previsto no seguimento da pandemia, olharemos para os termos em que a proposta é feita, avaliaremos os termos em que é preciso fazer um ou outro ajustamento”, acrescentou, numa referência a questões de emergência sanitária que possam exigir mudanças na Constituição.

*** Ana Clotilde Correia e Joana Felizes (texto), Miguel A. Lopes (fotos) e Hugo Fragata (vídeo) ***

ACL/JF // SF

By Impala News / Lusa

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