Produção de ouro por Moçambique cresceu 4% até março para 283 quilogramas

A produção moçambicana de ouro cresceu 4% no primeiro trimestre, para 283 quilogramas, recuperando do recuo de 17% registado em 2025 devido à paralisação das atividades de extração em Manica, por preocupações ambientais, segundo dados oficiais.

Produção de ouro por Moçambique cresceu 4% até março para 283 quilogramas

De acordo com dados da execução do primeiro trimestre do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, a que a Lusa teve hoje acesso, este valor representa cerca de 16% da meta anual de 1,723 toneladas prevista para 2026, comparando ainda com os 273,15 quilogramas registados nos primeiros três meses de 2025.

A preços de mercado, de cerca de 125 euros por grama de ouro, trata-se de uma produção equivalente, em três meses, a aproximadamente 35,5 milhões de euros.

No total de 2025, a produção moçambicana de ouro caiu 17%, para 1,349 toneladas, falhando as metas definidas, devido à paralisação das atividades de extração em Manica, por preocupações ambientais, noticiou anteriormente a Lusa.

De acordo com um documento do Governo sobre a execução orçamental de 2025, este valor corresponde a 82% da meta anual então definida, após vários anos de crescimento regular até ao recorde de 1,641 toneladas registado em 2024.

“Esta redução resulta da paralisação das atividades de extração de ouro em Manica, sendo esta uma das províncias com maior produção, incluindo operações de mineração artesanal de pequena escala”, refere o documento.

A produção de 2025 recuou assim para níveis próximos dos de 2022, quando foram contabilizadas 1,263 toneladas de ouro.

Já para 2026, Moçambique prevê produzir mais de 1,723 toneladas de ouro, estimativa que, a concretizar-se, representará um novo recorde anual, segundo projeções anteriores do Governo.

“O aumento na produção de ouro resultará do bom desempenho das duas principais empresas do setor e do investimento na ampliação da capacidade produtiva”, justifica o executivo nos documentos de suporte à proposta de Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2026.

O Governo moçambicano suspendeu, em 30 de setembro, todas as licenças de mineração na província de Manica, no centro do país, e criou uma comissão interministerial para rever o regime de licenciamento, reforçar a fiscalização e avançar com medidas de recuperação ambiental.

“A suspensão deve ser aplicada de forma global, abrangendo operadores licenciados e outros em situação irregular, de modo a estancar a degradação ambiental e criar condições para uma reorganização institucional que permita uma exploração sustentável”, afirmou o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou, em 17 de setembro, que a mineração estava a causar um “desastre ambiental” na província, posição assumida após o comando operativo das Forças de Defesa e Segurança (FDS) ter trabalhado na área entre 17 e 19 de julho para avaliar a situação no terreno.

O relatório constatou uma “mineração descontrolada”, incluindo operadores licenciados a atuar sem planos de recuperação ambiental nem sistemas adequados de contenção de resíduos, além de violações dos direitos dos trabalhadores.

“Foram ainda identificados riscos para a segurança e soberania nacionais, com grupos de estrangeiros envolvidos no garimpo ilegal a entrarem por rotas informais e a alimentarem redes paralelas de comércio de ouro, extorsão e insegurança pública, criando focos de tensão social”, acrescentou Impissa.

O executivo classificou como crítica a situação ambiental em Manica, apontando para “grave poluição” dos rios, com “águas com coloração avermelhada, turva e opaca”, resultante da lavagem direta de minérios e do despejo de resíduos sem tratamento.

PVJ // SB

By Impala News / Lusa

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