Urnas abrem na primeira eleição do Nepal após protestos de jovens derrubarem Governo
As urnas abriram na primeira eleição nacional do Nepal desde que a revolta violenta liderada por jovens no ano passado forçou o Governo a abandonar o poder
As forças de segurança patrulham as ruas e protegem as assembleias eleitorais em todo o país de cerca de 30 milhões de habitantes, enquanto os eleitores fazem fila para votar, de acordo com a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP).
A contagem dos votos terá início ainda hoje, e o anúncio dos resultados está previsto para o fim de semana.
Autoridades afirmaram que tanto a campanha eleitoral quanto a votação decorreram de forma pacífica, sem relatos de incidentes.
“Há um grande entusiasmo entre a população em relação a esta eleição, e prevemos que a participação eleitoral seja de, pelo menos, 65%”, disse o presidente interino da comissão eleitoral do Nepal, Ram Prasad Bhandari.
As autoridades proibiram a circulação de veículos nas ruas, assim como de comícios políticos e reuniões públicas. Todas as formas de campanha estão proibidas no dia das eleições.
Os eleitores começaram a fazer fila junto às assembleias de voto antes da abertura das urnas, às 07:00 (02:00 em Lisboa).
“Estou aqui para votar na esperança de trazer novas mudanças ao Nepal, que era o que todos buscávamos e o motivo da revolta da Geração Z”, disse Hari Sharan Giri, um pintor com 70 anos, citado pela AP.
Outros disseram à agência esperar que as eleições tragam mudanças positivas para a nação. “Senti que posso cumprir a minha responsabilidade como pessoa e cidadã, porque cada um dos nossos votos é importante”, indicou Sanjiya Shrestha, também citada pela AP.
Quase 19 milhões de pessoas estão registadas para votar, de acordo com a Comissão Eleitoral.
Os eleitores estão a eleger diretamente 165 membros para a Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Parlamento, sendo que os restantes 110 lugares do órgão de 275 membros serão atribuídos através de um sistema de representação proporcional, ao abrigo do qual os partidos políticos nomeiam deputados com base num modelo de quota de votos.
A eleição é amplamente vista como uma disputa a três, moldada pela frustração dos eleitores com a corrupção generalizada e pelas exigências de uma maior responsabilização do Governo.
O Partido Nacional Independente (PNI), fundado em 2022, é considerado o favorito, representando um forte desafio para dois partidos há muito dominantes — o Congresso Nepalês e o Partido Comunista do Nepal (Marxista-Leninista Unificado, liderado pelo ex-primeiro-minitro, Khadga Prasad Oli).
O candidato a primeiro-ministro do novo partido é o ‘rapper’ que se tornou político Balendra Shah, que venceu a corrida para a prefeitura de Katmandu em 2022 e emergiu como uma figura de destaque na revolta de 2025, que derrubou Oli.
Shah, com 35 anos, aproveitou a onda de indignação pública contra os partidos políticos tradicionais, dando destaque à saúde e à educação para os nepaleses pobres como um dos principais focos da campanha.
Os protestos contra a corrupção e a má governação foram desencadeados por uma proibição das redes sociais, antes de se transformarem numa revolta popular contra o Governo.
Dezenas de pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas quando os manifestantes atacaram edifícios governamentais e a polícia abriu fogo.
Enquanto o Congresso e os comunistas mantêm bases eleitorais leais, o partido de Shah atraiu multidões maiores na campanha eleitoral, com destaque para os eleitores mais jovens.
Shah foi hoje um dos primeiros líderes políticos a votar, o que fez numa escola local em Katmandu. O cabeça de lista do PNI vive na capital, mas concorre por um distrito no sudeste do Nepal.
A próxima administração nepalesa herda desafios complexos, que começam na necessidade de cumprir as mudanças exigidas pelos protestos do ano passado, combate à corrupção enraizada e gestão das relações com vizinhos poderosos, como a Índia e a China.
CAD // APL
By Impala News / Lusa