Maioria dos países da CPLP sobe no índice de liberdade de imprensa

A maioria dos Estados da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) subiu no índice de liberdade de imprensa, no qual Cabo Verde e Angola desceram posições, segundo um relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgado hoje.

Maioria dos países da CPLP sobe no índice de liberdade de imprensa

Entre os oito dos nove países lusófonos que integram o índice, já que São Tomé e Príncipe não consta, Cabo Verde ocupa agora a segunda melhor posição (40.º) – logo a seguir a Portugal (10.º) -, tendo descido 10 lugares.

A RSF afirmou que Cabo Verde “destaca-se na região [africana] por proporcionar um ambiente de trabalho favorável aos jornalistas”, sendo a liberdade de imprensa garantida na Constituição.

“No entanto, os diretores dos meios de comunicação estatais, que dominam o panorama mediático, são nomeados diretamente pelo Governo”, apontou a organização como um fator justificativo da descida.

Angola, que registou o pior resultado entre os membros da CPLP, ocupa agora o 109.º lugar, tendo registado uma descida de nove lugares por “a censura e o controlo da informação ainda [pesar] muito sobre os jornalistas angolanos”, assinala-se.

Apesar da Guiné-Bissau e Guiné Equatorial terem subido no ‘ranking’ face a 2025, a RSF destacou que nestes dois países as autoridades controlam a informação e os órgãos de comunicação social, com os profissionais do setor a serem frequentemente alvo de ameaças e agressões físicas.

“O Estado exerce um controlo rígido sobre os meios de comunicação. Não há média independente, e as autoridades podem demitir jornalistas que não se submetam à censura oficial. Nos veículos de comunicação estatais, as informações de interesse público sobre pandemias e acidentes graves, por exemplo, são relegadas para segundo plano”, disse a organização sobre o cenário na Guiné Equatorial.

Moçambique registou uma subida de duas posições, ocupando agora o 99.º lugar. O Brasil subiu na classificação, de 63.º em 2025 para 52.º este ano. E Timor-Leste que ocupava a 39.ª posição, em 2025, é agora 30.º no ‘ranking’.

De acordo com o índice, o país africano que está melhor posicionado é a África do Sul, que ocupa o 21.º lugar, e o que está pior, e no fim do ‘ranking’ global, é a Eritreia, no 180.º lugar.

A RSF afirma que a liberdade de imprensa global está no nível mais baixo dos últimos 25 anos, em particular devido à criminalização do jornalismo.

No topo da lista, mais uma vez, está a Noruega, o único país a obter uma classificação de “excelente” (92,72 em 100), seguida dos Países Baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia.

A maior queda em 2026 é protagonizada pelo Níger (37 posições de uma só vez, para o 120.º lugar), que ilustra a deterioração da liberdade de imprensa que se verifica há anos na região do Sahel, também devido aos ataques que tem vindo a sofrer por parte de diferentes grupos armados e das juntas militares no poder.

DGYP (CAD) // JMC

By Impala News / Lusa

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