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Polícia de Hong Kong parou artista que tentava assinalar repressão de Tiananmen

Um artista de Hong Kong tentou homenagear as vítimas da repressão de 1989 na Praça de Tiananmen, mas foi detido de imediato pela polícia do território semiautónomo

Polícia de Hong Kong parou artista que tentava assinalar repressão de Tiananmen

Hong Kong, China, 04 jun 2026 (Lusa) – Um artista de Hong Kong tentou homenagear as vítimas da repressão de 1989 na Praça de Tiananmen, mas foi detido de imediato pela polícia do território semiautónomo, noticiou a agência norte-americana Associated Press (AP).

Na quarta-feira, Chen Sanmu tentou amarrar um fio vermelho simbólico a um poste de sinalização em Causeway Bay, um movimentado bairro comercial próximo de um parque que, durante décadas, acolheu uma vigília anual à luz de velas, no dia 04 de junho, para homenagear as vítimas da repressão que pôs fim aos protestos liderados por estudantes em Pequim em 1989.

Chen disse que o fio tinha 6,4 metros de comprimento, numa aparente referência à data de 04 de junho.

Os agentes da polícia pararam Chen e revistaram a mala antes de o deixarem prosseguir. Quando questionado por um repórter sobre o gesto com o fio vermelho após a libertação, Chen disse que o objetivo era expressar as condolências pelos mortos.

“É anormal que as pessoas te vigiem quando estás a dizer ou a fazer algo”, declarou aos repórteres Chen, detido pelo menos duas vezes nos anos mais recentes.

Na noite de quarta-feira, outra artista, Chan Mei-tung, que se encontrava em frente a uma zona comercial, segurava um balão em forma de ponto de interrogação, quando foi parada pela polícia, que a acompanhou de volta à estação de metro.

De acordo com a AP, a polícia não comentou até ao momento as ações de quarta-feira.

Hoje faz 37 anos que o exército chinês avançou com tanques para dispersar protestos pacíficos liderados por estudantes, que pediam reformas democráticas para o país, causando um número de mortos que ainda hoje é objeto de discussão.

Estimativas chegam às dez mil vítimas, embora Pequim defenda que a repressão dos “tumultos contrarrevolucionários” tenha levado à morte de duas centenas de civis.

Durante três décadas, Hong Kong e Macau foram os únicos locais em solo chinês onde o 04 de junho em Pequim foi lembrado de forma pacífica, com vigílias anuais que, no caso de Hong Kong, reuniam dezenas de milhares de cidadãos.

A Polícia de Segurança Pública de Macau disse à Lusa não ter sido notificada sobre a organização de reuniões ou manifestações para hoje.

“Até ao momento, esta Corporação não recebeu qualquer aviso prévio de realização de manifestação ou reunião em 04 de Junho”, respondeu, na segunda-feira à noite por e-mail, a PSP de Macau que, por lei, tem de ser notificada da organização de qualquer protesto ou vigília no espaço público.

Em 2020, as autoridades proibiram, em Macau e Hong Kong, pela primeira vez em 30 anos, a realização da vigília em espaço público, numa decisão justificada com os trabalhos de prevenção da covid-19.

Já no ano seguinte, a PSP Macau citou pela primeira vez razões políticas para interditar a comemoração, alegando risco de violações do Código Penal, nomeadamente dos artigos sobre a “ofensa a pessoa coletiva que exerça autoridade pública” e o “incitamento à alteração violenta do sistema estabelecido”.

Uma decisão validada posteriormente pelo Tribunal de Última Instância, quando apresentado recurso da decisão das autoridades.

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By Impala News / Lusa

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