PM timorense envia para Ministério Público auditoria a aquisição de avião e ferry para Oecussi
O primeiro-ministro, Xanana Gusmão, disse hoje que enviou para o Ministério Público uma auditoria independente aos processos de aquisição de um avião Twin Otter e à construção do ‘ferry’ “Haksolok” pela autoridade da Região Administrativa de Oecussi.
“Quando a EY Portugal enviou ao Governo o relatório, já aprovado, o Governo decidiu encaminhá-los para a Procuradoria-Geral da República, para dar início à investigação e aos procedimentos legais”, afirmou Xanana Gusmão aos jornalistas, após um encontro com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio Presidencial.
Em 2013, o governo de Timor-Leste adquiriu um avião por cerca de 7,7 milhões de dólares (6,7 milhões de euros), ao Canadá, para assegurar as ligações aéreas entre Díli, Oecussi e Suau. O avião começou a operar em 2015.
Num outro dossier, Timor-Leste investiu 12 milhões de euros na aquisição de 95% dos estaleiros da Figueira da Foz, infraestrutura que entrou em insolvência e que tinha praticamente como único cliente a construção do ‘ferry’ Haksolok, que devia ligar a capital timorense, a ilha de Ataúro e o enclave de Oecusse, no oeste do país, na altura gerido por Mari Alkatiri, líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).
O orçamento inicial da embarcação, em 2014, era de 13,3 milhões de euros, tendo sido depois assinadas três adendas contratuais adicionais num montante total de 12 milhões de euros, mas o navio nunca chegou a Timor-Leste.
A operação de compra do Haksolok é uma das mais polémicas dos últimos anos em Timor-Leste.
“O Conselho de Ministros expressa um elevado apreço pela EY Portugal, que concluiu a auditoria, analisando falhas e irregularidades e apresentando dados concretos sobre o que ocorreu, tanto nos aspetos técnicos, políticos e institucionais, como em matérias relacionadas com corrupção”, afirmou hoje Xanana Gusmão.
O primeiro-ministro explicou que pediu uma auditoria independente para “evitar acusações de politização”.
“É melhor que venha de uma entidade externa, para demonstrar também problemas de gestão, institucionais e a falta de arquivos existentes”, acrescentou o chefe do Governo.
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By Impala News / Lusa