Administração da Lusa admite mudar sede para a RTP se acrescentar valor – Sindicatos

A administração da Lusa admite mudar a sede para a RTP se “trouxer mais valor” para a agência de notícias, adiantaram hoje os sindicatos representativos dos trabalhadores, que estão contra essa possibilidade.

Administração da Lusa admite mudar sede para a RTP se acrescentar valor - Sindicatos

Os sindicatos pediram uma reunião urgente ao presidente do Conselho de Administração da Lusa (PCA), Joaquim Carreira, na sequência das “sucessivas e crescentes” informações de que a Lusa vai mudar a sede para a RTP.

Joaquim Carreira “negou informações de que alguma mudança esteja preparada e a concretizar nos próximos meses, até ao verão, embora tenha admitido que pode fazer sentido se trouxer valor para a agência”, destacaram os sindicatos, num comunicado divulgado hoje após a reunião na quarta-feira à tarde.

Ainda segundo Joaquim Carreira, quando o novo Conselho de Administração da Lusa entrar em funções, terá “três prioridades definidas pela tutela para cumprir até ao final do ano”, a primeira um plano de modernização da empresa, a segunda a definição do novo contrato de serviço público e a terceira as sinergias.

“Joaquim Carreira referiu que as três prioridades serão cumpridas por esta ordem e que, nesse sentido, o ponto das sinergias será o último a tratar em 2026”, referiram os sindicatos dos Jornalistas (SJ), dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE CSRA) e dos Trabalhadores do Setor dos Serviços (SITESE).

Sobre as sinergias, Joaquim Carreira considerou “fazer sentido à Lusa estabelecer sinergias com a RTP desde que sejam financeiramente favoráveis à agência, ao nível de algumas delegações, compras conjuntas, servidores, plataformas e cibersegurança”, destacaram os sindicatos.

E sobre uma mudança para a sede da RTP, o presidente do Conselho de Administração referiu que tomará essa decisão se for favorável à Lusa, tendo referido que “se trouxer mais valor para a Lusa, faz todo o sentido”, e acrescentado que “o atual edifício tem problemas estruturais”.

Os sindicatos sublinharam ainda que após questionado diretamente sobre se considera estratégico para o futuro da Lusa a agência de notícias ter um edifício próprio como sede (este ou outro), o PCA respondeu que “não”.

O Conselho de Administração passará a ter três membros executivos. Joaquim Carreira, presidente do Conselho de Administração da Lusa desde 2021, foi reconduzido para um mandato de quatro anos e entraram dois novos membros executivos: Luís Ferreira Lopes e Ana Alves.

No final de dezembro, o Governo aprovou um aumento de capital da Lusa no montante de cinco milhões de euros e, em novembro, o Estado passou a deter a totalidade do capital da agência.

No mesmo comunicado, os sindicatos realçaram que a mudança da Lusa para a RTP é uma “realidade pretendida pelo Governo e pela administração, que se consubstanciará a não ser que os trabalhadores e a sociedade se mobilizem e ela se oponham firmemente”.

Para os sindicatos, “reduzir recursos, infraestruturas e autonomia não acrescenta valor a qualquer empresa” e o “valor de uma empresa não se vê pelas poupanças conseguidas, mas pelo valor que lhe é reconhecido no ‘produto’ que faz”.

“Uma Lusa com menos autonomia, menos trabalhadores, menos jornalistas (quando já é gritante a falta de pessoas) é uma Lusa muito mais fraca e que não cumprirá adequadamente a sua missão de serviço noticioso público, desde logo de cobertura do território (tão falado agora devido à devastação causada pela tempestade Kristin)”, acrescentaram.

Os sindicatos alertaram ainda que “uma Lusa enfraquecida facilita fortemente maior controlo externo” e questionaram se o atual Governo e a administração da agência de notícias querem “ficar na história como os autores do desmantelamento da Lusa” quando esta cumpre 40 anos.

 

DMC (ARL) // RBF

By Impala News / Lusa

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