PM da Irlanda do Norte qualifica de “covardia repugnante” atuação de manifestantes esta noite em Belfast
A primeira-ministra da Irlanda do Norte condenou a violência que começou na noite desta terça-feira em Belfast e considerou que “grupos de homens mascarados a expulsar famílias das suas casas é (…) uma covardia repugnante”.
“Isto não tem nada a ver com a comunidade. Isto é pura malandragem”, acrescentou Michelle O’Neill nas redes sociais, citada pela BBC News.
“O ataque no norte de Belfast foi hediondo e errado. Mas existem tentativas perigosas de explorar isso, de visar e atacar pessoas inocentes que estão simplesmente a tentar viver, trabalhar e criar as suas famílias aqui”, destacou a política.
Michelle O’Neill sublinhou que o racismo, a intimidação e a violência são errados em qualquer lugar onde ocorram.
Realçando que “não pode haver desculpa nem justificação para estes ataques de hoje [terça-feira] à noite. Ninguém quer ver isto nas nossas ruas e volto a apelar à calma”.
Manifestantes bloquearem estradas, incendiarem veículos, incluindo um autocarro, edifícios e contentores na capital da Irlanda do Norte na noite de terça-feira, em reação a um ataque com faca na segunda-feira, na mesma cidade, atribuído a um refugiado sudanês, segundo a AFP no local e meios britânicos.
De acordo com a agência de notícias francesa AFP, habitantes de Belfast tiveram de ser retirados de um edifício incendiado.
Centenas de manifestantes, em grande parte com o rosto coberto, reuniram-se em vários pontos de Belfast, constataram jornalistas da AFP no local.
Um autocarro e vários carros foram incendiados, e um edifício na periferia do centro da cidade estava em chamas, relata a AFP.
“Focos esporádicos de distúrbios irromperam esta noite em vários pontos da Irlanda do Norte, com incidentes durante os quais vários veículos foram incendiados”, declarou, na altura o comissário-adjunto da polícia norte-irlandesa, Ryan Henderson, antes de voltar a apelar à calma.
Mais de 100 pessoas estão reunidas na Newtownards Road, uma área unionista na periferia do centro da cidade de Belfast, referia também a BBC News, relatando que contentores de lixo também estavam a ser incendiados no meio da estrada.
Segundo aquele meio, os manifestantes também se reuniram em Antrim, a 25 quilómetros a oeste de Belfast.
A polícia da Irlanda do Norte e as autoridades britânicas multiplicaram os apelos à calma, após o ataque de segunda-feira, cujo vídeo provocou uma onda de choque no país.
A polícia deteve um sudanês por alegadamente ter sido o autor de um esfaqueamento ocorrido num bairro residencial de Belfast. E informou que a vítima foi levada para o hospital na noite de segunda-feira com ferimentos graves no rosto, pescoço e costas.
Na noite desta terça-feira o secretário da Irlanda do Norte, Hilary Benn, disse que a desordem em partes da Irlanda do Norte “só está a prejudicar as comunidades e a colocar vidas inocentes em risco”.
Benn, que foi outro dos políticos a reagir sublinhou que “as pessoas ficaram, e com razão, chocadas” com o ataque em Belfast norte na segunda-feira, mas acrescentou que a polícia deve ser autorizada a fazer o seu trabalho.
“Não há qualquer justificação para este tipo de barbaridade. Ecoo o apelo da PSNI para que esta violência acabe agora”, afirmou.
Esta declaração de Benn, publicada na conta da rede social X e citada também pela BBC News, foi republicada na conta do Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer.
Este meio cita também um pastor que tem estado a ajudar pessoas cujas casas foram alvo da violência esta noite.
O pastor sublinha que as pessoas estavam a ser despejadas das suas casas “porque são negras”.
Jack McKee estava no local onde várias casas estavam a arder ao longo da Crumlin Road, no norte de Belfast, e sublinhou que alguns membros da sua igreja estavam “a ser expulsos das suas casas, tiveram as suas casas atacadas, vidros partidos, casas ao lado queimadas”.
“São boas pessoas cristãs e estão a ser despejadas apenas porque são negras”, afirmou, acrescentando:”Estou a fazer o meu melhor para os ajudar, é tão simples quanto isso”.
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Lusa/Fim
By Impala News / Lusa