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PCP não convenceu trabalhadores da Carris, mas ambos querem evitar privatização

O PCP não convenceu as organizações representativas dos trabalhadores da Carris de que a “melhor solução” para a gestão da empresa é o setor empresarial do Estado, mas ambos estão empenhados em evitar a privatização da rodoviária.

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***



Lisboa, 10 fev (Lusa) — O PCP não convenceu hoje as organizações representativas dos trabalhadores da Carris de que a “melhor solução” para a gestão da empresa é o setor empresarial do Estado, mas ambos estão empenhados em evitar a privatização da rodoviária.


“Não vínhamos com a perspetiva de convencer o PCP, o PCP também não nos convenceu (…), mas há uma questão que é clara, o grande objetivo que, quer o PCP, quer nós – organizações representativas dos trabalhadores — temos, é de que no futuro possamos evitar, quer a subconcessão, quer a privatização da Carris”, afirmou o porta-voz da Comissão de Trabalhadores da Carris, Paulo Gonçalves, após uma audiência com o grupo parlamentar do PCP, na Assembleia da República.


De acordo com Paulo Gonçalves, as organizações representativas dos trabalhadores da Carris continuam a defender que “não faz sentido” que a gestão da rodoviária seja entregue a uma entidade supramunicipal ou ao setor empresarial do Estado, uma vez que estão “perfeitamente de acordo com todo este processo de municipalização” por parte da Câmara de Lisboa.


Apesar de o PCP ser contra a municipalização, existem “aspetos de concordância” com as organizações representativas dos trabalhadores da Carris, nomeadamente “a questão do problema da privatização no futuro e a necessidade de ser encontrada uma medida de salvaguarda relativamente a essa matéria”, frisou o deputado comunista Bruno Dias.


“A nossa expectativa é de que o resultado deste processo se possa traduzir e saldar numa alteração para melhor das normas que estão colocadas e que as preocupações e problemas que temos vindo a identificar e que também mereceram a concordância em vários aspetos aqui por parte desta reunião tenham realmente a resposta adequada no decreto”, declarou o deputado do PCP, no final do encontro com as organizações representativas dos trabalhadores da Carris.


Para o parlamentar comunista, é necessário defender o caráter público da empresa, a contratação coletiva e os direitos dos trabalhadores, assim como “a defesa da empresa na questão do tarifário e da repartição de receitas entre as empresas em relação ao tarifário em vigor”.


Bruno Dias reiterou que a posição do PCP é de que deve estar salvaguardada a gestão pública da Carris, criticando o PSD por apresentar como solução para o futuro da rodoviária a entrega da gestão aos privados.


“Nas condições atuais, continuamos a dizer que o PCP é contra a municipalização e que a melhor solução neste contexto é o setor empresarial do Estado”, frisou o deputado comunista, reforçando que “nem é a entregar a uma Câmara, nem a duas, nem a três, nem é a entregar a uma região metropolitana que não existe”.


Na audiência com o grupo parlamentar do PCP estiveram presentes elementos da Comissão de Trabalhadores da Carris, do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA), do Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM) e da Associação Sindical do Pessoal de Tráfego da Carris (ASPTC).


“Estamos perfeitamente disponíveis para continuar a colaborar, quer com o grupo parlamentar do PCP, quer com qualquer grupo parlamentar que tenha estes objetivos, não excluímos ninguém”, referiu o porta-voz da Comissão de Trabalhadores da Carris.


A 01 de fevereiro, a Câmara de Lisboa assumiu a gestão da rodoviária Carris – 41 anos depois de a ter ‘perdido’ para o Estado -, num processo que gerou alguma polémica, após o PCP ter pedido a apreciação parlamentar do decreto que dá ‘luz verde’ à transferência.


Além de Lisboa, a Carris serve também os concelhos de Loures, Odivelas, Amadora, Oeiras e Almada.



SYSM // ARA

By Impala News / Lusa

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