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Oposição critica falta de informação e respostas da Câmara de Lisboa sobre elevador da Glória

A oposição na Câmara de Lisboa criticou hoje a falta de informação e respostas de Moedas sobre o acidente do elevador da Glória, pedindo um esclarecimento cabal do ocorrido, enquanto o presidente considerou “bem-vinda” a investigação judicial em curso.

Oposição critica falta de informação e respostas da Câmara de Lisboa sobre elevador da Glória

“O PS tem vindo a alertar, em várias reuniões da Câmara, para a falta de informação e de respostas sobre este caso”, apontou a vereação socialista na Câmara Municipal de Lisboa (CML) numa declaração escrita em resposta à Lusa, defendendo “um esclarecimento cabal sobre o que aconteceu, tratando-se de um acidente num equipamento municipal em que morreram 16 pessoas”.

Esta posição surge na sequência das buscas levadas a cabo pela Polícia Judiciária (PJ), esta manhã, na sede da Carris, em Lisboa, relacionadas com o descarrilamento do elevador da Glória, em setembro de 2025.

Segundo a CNN, que avançou a notícia, estão a ser investigados crimes de homicídio por negligência e violação de regras de segurança, e os visados são responsáveis da Carris e da empresa MAIN, que estava subcontratada para fazer a manutenção do elevador.

A vereação socialista lembrou que a CML anunciou a contratação de auditorias externas, incluindo uma atribuída ao CATIM, mas, vincou que “esses procedimentos continuam sem estar devidamente esclarecidos nem são conhecidos os respetivos contratos”, considerando “importante saber quando foram contratadas, qual o seu objeto, duração e custo”.

Já o BE afirmou acompanhar “com profunda preocupação as notícias sobre as buscas”, que confirmam “a gravidade dos indícios que têm vindo a ser conhecidos”, recordando que o mais recente relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) apontava já “para uma incongruência grave nas informações prestadas relativamente ao cabo de tração, elemento central para o funcionamento e segurança do sistema”.

Para o BE, é “particularmente preocupante” que, nove meses passados e após sucessivas insistências da oposição, “continue sem ser conhecido qualquer relatório da auditoria externa ou interna à Carris”, considerando que “a opacidade é total, numa matéria que exige o máximo escrutínio público”.

A vereação bloquista criticou ainda Carlos Moedas por ter defendido “até ao limite” o então presidente do Conselho de Administração da Carris, Pedro Bogas, por si nomeado, “mesmo perante sucessivas revelações de alegadas falhas graves na manutenção, supervisão e segurança do serviço”.

No mesmo sentido, o vereador do Livre, Carlos Teixeira, reiterou que “há demasiadas perguntas sem resposta sobre o acidente no elevador da Glória”, recordando que na reunião publica da CML desta semana a oposição voltou a pedir esclarecimentos, nomeadamente sobre os resultados da anunciada auditoria interna da Carris.

“Até hoje, tudo o que sabemos oficialmente resulta apenas do segundo relatório preliminar do GPIAAF, datado de outubro de 2025. Da Carris e da Câmara Municipal de Lisboa, nada: opacidade total”, criticou o Livre.

Quanto ao acompanhamento às famílias das vítimas, o Livre aprontou que, após várias denúncias de que não estaria a ser assegurado, a Câmara não garantiu que tenha alocado meios para colmatar essa falha, o que considerou “politicamente inaceitável”.

Também o PCP realçou que tem insistido para que se tornem públicos os resultados das auditorias técnicas independentes desencadeadas pela CML, defendendo que a tragédia “exige o apuramento rigoroso e célere de todas as causas e responsabilidades”, nos planos técnico, operacional e político.

O vereador comunista, João Ferreira, salientou que “as opções de gestão tomadas ao longo dos anos tiveram consequências concretas na segurança e na fiabilidade destes equipamentos históricos”, lembrando que, no concurso lançado em 2022 para manutenção, a empresa vencedora apresentou um “preço anormalmente baixo, que deveria ter suscitado um escrutínio particularmente rigoroso quanto à sua exequibilidade, aos meios disponíveis e às condições concretas de execução do serviço”.

João Ferreira criticou ainda a opção política de externalizar serviços de manutenção, “que teve como consequência a diminuição progressiva da capacidade da operação”.

A Lusa contactou o vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, mas não obteve resposta até ao momento, e também a CML, que remeteu para as declarações de Carlos Moedas ao canal de notícias Now, onde considerou a investigação judicial “bem-vinda”.

O presidente da CML felicitou ainda o Ministério Público, salientou a necessidade de se apurar a verdade sobre o acidente e garantiu que a câmara não é alvo da investigação judicial em curso.

MPE/SSM // MCL

By Impala News / Lusa

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