Juíza do Supremo eleita presidente da Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau

A juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Guiné-Bissau Carmem Isaura Lobo foi hoje eleita presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), numa votação realizada no Conselho Nacional de Transição.

Juíza do Supremo eleita presidente da Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau

De acordo com a Rádio Capital FM, a votação de Isaura Lobo ocorreu em sessão plenária do Conselho Nacional de Transição, órgão que substituiu o parlamento desde o golpe de Estado protagonizado por militares a 26 de novembro passado.

Segundo a mesma fonte, Carmem Isaura Lobo, formada em direito em Marrocos, venceu, em votação, o também juiz conselheiro do Supremo Tribunal Pansau Na Tcharé.

A renovação do secretariado executivo da CNE tem sido uma das exigências da oposição, que considera a atual direção, presidida pelo juiz desembargador Mpabi Kaby, “caduca” desde 2022.

O Conselho Nacional de Transição tem avançado com algumas reformas legislativas no país, mesmo perante a contestação da oposição, nomeadamente a revisão da Constituição, que agora concede amplos poderes ao Presidente da República, e da lei-quadro dos partidos políticos.

Um autodenominado Alto Comando Militar protagonizou um golpe de Estado na véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, realizadas no dia 23 de novembro de 2025.

Os militares alegaram como fundamento a iminência de uma guerra civil no país.

Na sequência do golpe de Estado, a Guiné-Bissau foi suspensa das várias organizações de que é membro, nomeadamente a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), União Africana e CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que reclamam o regresso à normalidade constitucional para levantar a medida.

A CPLP cancelou uma missão de bons ofícios que tinha agendado para de 17 a 21 de fevereiro, depois da troca de acusações entre a Guiné-Bissau e Timor-Leste, que assumiu temporariamente a presidência da organização, que era detida por Bissau.

A CEDEAO e a União Africana enviaram missões à Guiné-Bissau, que estão a mediar o processo de transição no país, que os militares definiram pelo período de 12 meses.

O Presidente da Repúblcia de transição, Horta Inta-a, convocou novas eleições gerais para 06 de dezembro.

 

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

 

HFI // MLL

By Impala News / Lusa

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