Irão volta a discutir conversações de paz após rejeição de Trump de contraproposta iraniana
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano voltou hoje a falar com os homólogos saudita e egípcio sobre as conversações de paz com os Estados Unidos depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado a última proposta de Teerão.
Segundo avançou o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi teve conversações separadas com os ministros da Arábia Saudita e do Egito, Faisal bin Farhan e Badr Abdelati, respetivamente, para discutir “os últimos desenvolvimentos relacionados com o processo diplomático entre o Irão e os Estados Unidos, mediado pelo Paquistão”.
Embora o conteúdo das conversas não tenha sido divulgado, o objetivo é coordenar uma resposta regional, um esforço que Araghchi tem tentado consolidar para conseguir o apoio dos vizinhos árabes contra o que chama de “exigências excessivas” e “chantagem” da administração Trump.
O Egito tem atuado como facilitador para evitar uma escalada militar total do conflito enquanto a Arábia Saudita continua a apoiar negociações para diminuir as tensões no estreito de Ormuz, apesar de já ter avisado Teerão de que a paciência de Riade tem limites em relação à segurança marítima.
A proposta — descrita pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaeil Baqaei, como “legítima e generosa” — foi enviada através do Paquistão e visava o fim da guerra em todas as frentes (incluindo no Líbano), o levantamento das sanções petrolíferas, a libertação de 100 mil milhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento da soberania iraniana sobre o estreito de Ormuz.
Proposta que Donald Trump considerou “totalmente inaceitável” e face à qual acusou o Irão de “estar a jogar jogos”.
Os Estados Unidos (EUA) e o Irão iniciaram em abril um processo de diálogo mediado pelo Paquistão, mas as posições divergentes estão a impedir uma segunda reunião, possivelmente em Islamabad.
O primeiro encontro aconteceu na capital paquistanesa depois de Donald Trump ter anunciado a suspensão, por duas semanas, dos ataques ao Irão, medida igualmente aceite por Israel. A trégua, que entrou em vigor em 08 de abril, seria posteriormente prorrogada indefinidamente por Trump.
O bloqueio do estreito de Ormuz e a recente incursão e apreensão de navios iranianos pelos EUA na região estão entre os motivos alegados por Teerão para não comparecer às negociações em Islamabad, uma vez que considera estas ações uma violação do cessar-fogo.
Apesar disso, Teerão e Washington mantêm contacto através da mediação do Paquistão.
Os EUA e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
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By Impala News / Lusa