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Independentistas de Cabinda avisam Angola que território “continuará em guerra”

Os independentistas da Frente de Libertação do Estado de Cabinda, que este ano já reivindicaram a morte naquele enclave de vários militares angolanos, avisaram hoje, em comunicado, que o território “continuará em guerra”.

Luanda, 04 abr (Lusa) – Os independentistas da Frente de Libertação do Estado de Cabinda, que este ano já reivindicaram a morte naquele enclave de vários militares angolanos, avisaram hoje, em comunicado, que o território “continuará em guerra”.


A posição foi divulgada hoje, precisamente no dia em que se assinala a passagem dos 15 anos sobre a assinatura, no Luena, dos acordos de paz entre as chefias militares do Governo, liderado pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), terminando com quase 30 anos de guerra civil.


“O MPLA e a UNITA vão comemorar o seu acordo de Luena. Isso é um assunto entre angolanos, que em nada nos diz respeito. Pela nossa parte, a FLEC-FAC continuará a guerra que nos é imposta pela potência ocupante e estrangeira que é Angola”, lê-se no comunicado da organização independentista, assinado pelo seu porta-voz, Jean Claude Nzita.


Na mesma nota, a direção político-militar da Frente de Libertação do Estado de Cabinda – Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC) volta a apelar “a todos os cabindas, do interior e da diáspora, das cidades, das povoações e das matas, para se juntarem à resistência para intensificar a luta armada em todo o território de Cabinda contra a ocupação ilegítima por parte de Angola”.


No dia em que Angola assinala o feriado nacional, dia da paz, a FLEC-FAC afirma que a resistência em Cabinda “é um direito legítimo e um dever moral”, em face do “direito de querer proteger a nossa existência como povo e nossa identidade nacional e cultural”.


“Estamos em guerra e vamos ficar em guerra contra a ocupação ao longo de nossas vidas, pois o povo de Cabinda vai continuar”, avisam os independentistas.


A FLEC-FAC recorda que a 01 de fevereiro de 1885 foi assinado o Tratado de Simulambuco, que tornou aquele enclave num “protetorado português”, o que está na base da luta pela independência do território.


Só em fevereiro e março, as FAC reclamaram a autoria de confrontos em Cabinda que terão provocado a morte a quase quatro dezenas de militares angolanos.


Durante o ano de 2016, vários ataques do género provocaram, nas contas da FLEC-FAC, desmentidas pelo Governo angolano, mais de meia centena de mortes entre as operacionais das Forças Armadas Angolanas.


O enclave de Cabinda, no ‘onshore’ e ‘offshore’, garante uma parte substancial da produção total de petróleo por Angola, atualmente superior a 1,6 milhões de barris por dia.


O ministro do Interior de Angola afirmou em outubro que a situação em Cabinda é estável, negando as informações das FAC, que só entre agosto e setembro tinham reivindicado a morte de mais de 50 militares angolanos em ataques naquele enclave.


“Em Cabinda, o clima de segurança é estável, é uma província normal, apesar de algumas especulações e notícias infundadas sobre pseudo-ações militares que se têm realizado”, disse o ministro Ângelo da Veiga Tavares.


O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas também desmentiu em agosto, em Luanda, a ocorrência dos sucessivos ataques reivindicados pela FLEC-FAC, com dezenas de mortos entre os soldados angolanos na província de Cabinda.


Geraldo Sachipengo Nunda disse então que a situação em Cabinda é de completa tranquilidade, negando qualquer ação da FLEC-FAC, afirmando que aqueles guerrilheiros “estão a sonhar”.



PVJ // VM

By Impala News / Lusa

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