Primeiro caso suspeito de hantavírus em Portugal testou negativo
Português com sintomas de gripe deu entrada, na tarde de segunda-feira, nas urgências do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, com suspeita de hantavírus. O teste deu negativo e o doente já teve alta.
Portugal registou ontem o primeiro caso suspeito de hantavírus. O cidadão português com sintomas gripais – febre, dores musculares e mal-estar – apresentou-se nas urgências do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, no âmbito do surto associado ao navio de cruzeiro MV Hondius. A suspeita está ligada ao transporte aéreo de passageiros com casos confirmados a bordo.
O hospital seguiu os procedimentos definidos pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e encaminhou o doente para o Hospital Curry Cabral, unidade de referência para este tipo de situações em Lisboa. As análises foram enviadas para o Instituto Ricardo Jorge. O resultado foi negativo e o doente teve alta, sem existir neste momento qualquer caso suspeito ativo em Portugal.
O que é o hantavírus e porque está a preocupar o mundo
O surto atual tem origem no MV Hondius, navio de cruzeiro que partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1 de abril. A OMS confirmou até 13 de maio 11 casos – nove deles pela variante Andes – e três mortes. Não é a primeira vez que um surto vírico afeta passageiros de cruzeiros: num navio no estuário do Gironda, em França, o norovírus causou uma morte e 50 casos suspeitos.
O hantavírus transmite-se habitualmente através de roedores infetados. A variante Andes é a exceção: pode passar entre humanos por contacto com secreções respiratórias, saliva, sangue ou outros fluidos. Os sintomas iniciais assemelham-se aos da gripe – febre, fadiga, dores musculares e de cabeça –, o que dificulta a identificação precoce.
O que diz a DGS
A DGS publicou em 11 de maio orientações para os profissionais de saúde portugueses sobre como atuar perante casos suspeitos. O risco para Portugal é classificado como “muito baixo” e não foram definidas medidas preventivas para a população.
Os hospitais de referência são o Curry Cabral e o Dona Estefânia, em Lisboa, e o Hospital de São João, no Porto. Em caso de suspeita, o INEM deve ser ativado para assegurar o transporte do doente. Mesmo com teste negativo, a norma da DGS prevê que o doente seja reclassificado e testado de novo caso desenvolva sintomas dentro do período máximo de incubação – 42 dias após a última exposição a um caso confirmado ou provável.
O que fazer se tiver sintomas
Quem tiver estado a bordo do MV Hondius ou em voos com casos confirmados e desenvolver febre, dores musculares, calafrios, sintomas gastrointestinais ou respiratórios deve contactar a linha SNS 24 (808 24 24 24) antes de deslocar-se a uma urgência.