Grupo de militantes denuncia ilegalidades no maior partido da oposição cabo-verdiana
Um grupo de militantes do maior partido da oposição em Cabo Verde denunciou hoje várias ilegalidades e falta de condições para o surgimento de candidaturas alternativas à liderança do partido, que realiza eleições antecipadas a 29 deste mês.
Praia, 17 jan (Lusa) – Um grupo de militantes do maior partido da oposição em Cabo Verde denunciou hoje várias ilegalidades e falta de condições para o surgimento de candidaturas alternativas à liderança do partido, que realiza eleições antecipadas a 29 deste mês.
As denúncias foram feitas por destacados militantes do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que há dois meses apresentaram um “Manifesto de Militância” a pedir mais diálogo interno, mas sem concretizar as críticas numa candidatura alternativa à liderança.
Em conferência de imprensa, o deputado Júlio Correia, porta-voz do grupo, informou que os alertas constantes no manifesto, entre eles a “inoportunidade e pressa” na realização de eleições antecipadas, foram enviados às várias estruturas do PAICV, mas “não tiveram acolhimento”.
Entre os alertas, o também membro do Conselho Nacional apontou alegadas “incorreções” na base de dados, afirmando que não incluiu combatentes da liberdade da pátria e há pessoas, as quais não identificou, eleitas por outros partidos, que continuam nos cadernos do PAICV.
O porta-voz indicou que as estruturas de base, regionais, setoriais e intermediárias, com exceção de São Vicente, não foram relegitimadas e continuam com mandatos caducados, e o espaço temporal revelou-se “insuficiente” para análise da situação interna do partido.
“Neste quadro, em que se evidencia o desrespeito pelos estatutos do partido, naturalmente, não houve condições objetivas para o surgimento de propostas alternativas”, disse Júlio Correia, enfatizando que as críticas do grupo não é para apresentação de uma candidatura, mas sim pedir a reorganização interna, participação dos militantes, diálogo, transparência e união no PAICV.
“A nossa crítica não é para termos uma liderança, mas sim que, com esta liderança, o PAICV não conseguirá alcançar os seus objetivos”, continuou.
Questionado se o grupo pretende impugnar as eleições, Júlio Correia disse que os alertas foram feitos em “tempo devido”, mas o grupo não tem maioria suficiente para reverter um conjunto de circunstâncias e decisões que não está de acordo.
“O que não queremos é que, com o nosso silêncio, determinados atos sejam consumados sem que se diga da sua ilegalidade e da sua inoportunidade”, prosseguiu o porta-voz, afirmando que, a prazo, os militantes vão perceber que o partido está a realizar “eleições falsas”.
Questionado se o grupo também poderá apresentar alguma moção, José Manuel Sanches informou que os estatutos do partido não permitem que alguém que não tenha concorrido às eleições primárias apresente uma lista concorrente ao congresso, mas qualquer delegado poderá apresentar moção setorial sobre determinadas temáticas.
Por sua vez, a jurista e ex-ministra Marisa Morais disse que no plano jurídico todos os mecanismos foram acionados e que ir aos tribunais “não é uma possibilidade desejável”, já que a intenção do grupo “não é criar fraturas”, mas contribuir para melhorar a estrutura organizacional do partido.
“Não estamos a compactuar. Compactuar seria, certamente, ir a eleições. Apresentando uma lista alternativa aí, sim, estaríamos a pactuar com a situação que não concordamos”, esclareceu a ex-governante do partido que saiu do governo o ano passado, após 15 anos no poder.
O texto da conferência de imprensa do grupo foi subscrito por 20 destacados militantes do PAICV, também presentes na sala, como Felisberto Vieira, antigo autarca da Praia e candidato derrotado nas últimas eleições, e o ex-ministro Otávio Tavares.
O PAICV realiza eleições internas antecipadas no próximo dia 29 deste mês e a atual líder, Janira Hopffer Almada, que colocou o lugar à disposição depois de ter perdido as eleições legislativas e autárquicas de 2016, será a única candidata à sua própria sucessão.
Depois das eleições, em que estão inscritos 34.720 militantes, mais 2.205 do que nas diretas de 2014, o PAICV realiza o seu congresso nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro.
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By Impala News / Lusa