Futuro Presidente do Chile escolhe dois ex-ministros de Pinochet para a sua equipa
A nomeação de dois antigos advogados do general Augusto Pinochet (1973-1990) como futuros ministros da Justiça e da Defesa no governo de ultra direita de José Antonio Kast foi criticada por vários setores da sociedade chilena.
Em causa estão as nomeações de Fernando Rabat, que assumirá em 11 de março o Ministério da Justiça e Direitos Humanos, e de Fernando Barros, que ficará à frente da Defesa e coordenação das Forças Armadas.
Rabat, de 53 anos, é especialista em direito civil e faz parte do escritório de advocacia de Pablo Rodríguez, o falecido líder da Patria y Libertad, uma organização paramilitar de extrema-direita que se opôs com violência política ao governo da Unidad Popular de Salvador Allende (1970-1973).
Académico da Universidade do Desenvolvimento, o futuro ministro integrou as equipas que defenderam o ditador em causas como a “Operação Colombo” (uma montagem sobre o desaparecimento de 119 chilenos) ou o “Caso Riggs”, uma investigação sobre a fortuna oculta do general num banco dos Estados Unidos.
“É controverso que Rabat seja ministro da Justiça, considerando a sua ligação com Pablo Rodriguez”, disse em declarações à agência EFE Octavio Avendaño, da Universidade do Chile, para quem a nomeação é “um sinal negativo, até mesmo provocador” de Kast, que sucederá ao Presidente Gabriel Boric, um antigo líder estudantil de esquerda.
O académico da Universidade Diego Portales, Rodrigo Espinoza, declarou à EFE que a nomeação do advogado “pode tornar-se um foco de conflito, principalmente com a esquerda”.
Rabat terá de enfrentar a crise em que se encontra mergulhado o Poder Judicial chileno e que, recentemente, provocou a destituição de três juízes do Supremo Tribunal e de outros dois juízes do Tribunal de Recurso por casos de corrupção.
Por sua vez, Barros, de 68 anos, independente, mas com laços estreitos com Kast, foi advogado e porta-voz do ditador após a sua detenção em Londres, em 1998.
O futuro ministro da Defesa também defendeu por mais de 30 anos o ex-presidente Sebastián Piñera (2010-2014 e 2018-2022), além de integrar a administração que gere a fortuna milionária da família Piñera.
Atualmente, Barros preside ao conselho de administração da empresa química Oxiquim S.A. e integra os conselhos de administração de outras três grandes empresas e da Universidade Finis Terrae, cargos dos quais terá de renunciar quando assumir o cargo de ministro.
Desde que o nome de Rabat começou a ser ventilado como hipótese para assumir o cargo de ministro da Justiça, as organizações de direitos humanos têm expressado descontentamento e receio de que muitas mudanças sejam feitas numa das pastas mais sensíveis do gabinete, que atualmente está nas mãos do Partido Comunista.
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By Impala News / Lusa