Embaixadores de França, Reino Unido e Alemanha em Moscovo debatem guerra na Ucrânia com vice-MNE russo
Os embaixadores de França, Reino Unido e Alemanha em Moscovo reuniram-se hoje com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Mikhail Galuzin, para discutir a guerra da Rússia na Ucrânia.
Tratou-se de um passo sem precedentes destes países europeus desde a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Segundo a agência de notícias russa TASS, Nicolas de Rivière, Nigel Casey e Alexander Lambsdorff participaram numa reunião que durou cerca de uma hora e meia e que representa uma aproximação destas nações europeias à Rússia no contexto da guerra na Ucrânia, enquanto se intensifica na Europa o debate sobre a nomeação de um negociador para facilitar negociações de paz entre Kiev e Moscovo.
Até agora, não foram divulgados pormenores sobre o conteúdo do encontro, centrado na situação na Ucrânia, embora o embaixador francês tenha, no final, dito à imprensa que a reunião tinha sido positiva.
Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, indicou que os embaixadores europeus tinham solicitado uma reunião com o seu adjunto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para falar sobre o conflito na Ucrânia, em curso há mais de quatro anos.
Moscovo apresentou este contacto como uma tentativa da Europa de obter visibilidade internacional no contexto de uma solução para a guerra na Ucrânia.
“Todos têm observado nos últimos dias como a União Europeia tem tentado assumir o protagonismo na situação ucraniana, com os seus esforços para a resolver, ou – do seu ponto de vista – alegadamente resolver, a situação na Ucrânia e, em geral, para aumentar a sua visibilidade no plano internacional”, declarou Lavrov, após uma cimeira da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC).
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após o desmoronamento da União Soviética – e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO.
Estas condições para solucionar o conflito — constantes do plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump – são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam sólidas garantias de que não voltará a ser alvo de ataque.
ANC // JH
By Impala News / Lusa