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Ébola na RDCongo: OMS declara emergência de saúde pública internacional

Surto de Ébola na República Democrática do Congo já causou pelo menos 131 mortos e 513 casos suspeitos. A OMS declarou emergência de saúde pública internacional — o segundo nível mais elevado de alerta global.

Ébola na RDCongo: OMS declara emergência de saúde pública internacional

O vírus Ébola continua a alastrar na República Democrática do Congo. Segundo o ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, o surto já causou pelo menos 131 mortos e regista 513 casos suspeitos na província de Ituri, no nordeste do país. A OMS declarou no domingo, 17 de maio, o surto como Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, mobilizando recursos globais para travar a propagação do vírus Bundibugyo, uma variante para a qual não existe vacina nem tratamento aprovado.

O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi claro: o surto “constitui uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, mas não preenche os critérios para uma emergência pandémica.”

Como tudo começou

O paciente zero presumido é um enfermeiro do Centro Médico Evangélico de Bunia, cujo caso data de 24 de abril de 2026. Apresentou febre, hemorragias e vómitos intensos – os sintomas clássicos do Ébola. A partir daí, o vírus propagou-se rapidamente pelas zonas de saúde de Rwampara, Mongbwalu e Bunia.

Um dos fatores que atrasou a resposta foi a própria natureza da cepa. Os primeiros testes realizados no terreno devolveram resultados negativos porque os equipamentos disponíveis apenas conseguiam identificar a variante Zaire, única para a qual existe vacina. O vírus Bundibugyo só foi identificado numa fase mais avançada, quando o surto já estava em expansão.

“Não existem atualmente tratamentos ou vacinas aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo” (Tedros Adhanom Ghebreyesus)

Ébola cruzou fronteiras

O surto deixou de ser um problema exclusivo da RDCongo. Dois casos foram confirmados em Kampala, capital do Uganda, em pessoas provenientes do Congo sem ligação aparente entre si, um dos quais resultou em morte. Foi ainda confirmado um caso em Goma, capital provincial do Norte-Kivu, atualmente ocupada pelos rebeldes do Movimento 23 de Março.

Os CDC da Europa e dos Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira que pretendem enviar especialistas ao Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças para apoiar as operações no terreno e nas regiões afetadas na RDCongo e no Uganda.

Sem vacina, sem tratamento

O aspeto mais preocupante deste surto é a ausência de vacinas ou tratamentos aprovados para a cepa Bundibugyo. As vacinas e terapêuticas existentes foram desenvolvidas especificamente contra a cepa Zaire. “Não existem atualmente tratamentos ou vacinas aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo”, confirmou a OMS, classificando o surto como “um acontecimento extraordinário.”

A taxa de mortalidade desta cepa situa-se entre os 25% e os 40%, segundo os Médicos Sem Fronteiras, que estão a intensificar a resposta na província de Ituri. Este é apenas o terceiro surto documentado desta cepa, após episódios em Uganda entre 2007 e 2008 e na própria RDCongo em 2012.

Mundo em alerta sanitário

O surto de Ébola surge num contexto de alerta sanitário global sem precedentes recentes. Nas últimas semanas, o mundo acompanhou o surto de hantavírus no navio MV Hondius, a morte de uma pessoa por norovírus num cruzeiro em Bordéus e as orientações da DGS para casos suspeitos em Portugal.

O Ébola, contudo, é uma ameaça de natureza diferente. Não se transmite pelo ar nem pela água – propaga-se pelo contacto direto com fluidos corporais de pessoas infetadas ou com objetos contaminados. Para a população portuguesa, o risco é considerado muito baixo pela DGS.

Historial do vírus na RDCongo

Este é o 17.º surto de Ébola registado na RDCongo desde que o vírus foi identificado pela primeira vez, em 1976, em Yambuku. O surto mais recente ocorreu entre agosto e dezembro de 2025, com pelo menos 34 mortes. O mais mortífero de sempre provocou quase 2.300 mortes em 3.500 casos entre 2018 e 2020. Ao todo, o vírus matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.

Luís Martins; WiN
Imagem Lusa

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