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Depressão Kristin: O Apocalipse que parou o país e ainda deixa 11 mil às escuras

A passagem da depressão Kristin por Portugal não foi apenas mais uma tempestade; foi um evento sem precedentes que redesenhou o mapa da fragilidade infraestrutural do país. Duas semanas depois, o balanço é trágico: 16 mortos e milhares de clientes que ainda esperam pelo regresso da luz.

Depressão Kristin: O Apocalipse que parou o país e ainda deixa 11 mil às escuras

O que começou como um alerta meteorológico transformou-se num cenário de catástrofe. A depressão Kristin, que atingiu o território continental no final de janeiro de 2026, deixou marcas profundas que o tempo e as equipas de emergência ainda tentam apagar. Segundo os dados mais recentes da E-Redes, cerca de 11 mil clientes continuam sem energia elétrica nas zonas mais fustigadas, uma descida face aos 14 mil registados no último domingo, mas ainda um número expressivo que reflete a destruição da rede.

Cronologia do Caos: Do alerta à destruição total

Para compreendermos a dimensão deste fenómeno, é necessário recuar ao momento em que o país foi “engolido” pelo vento e pela chuva.

28 de janeiro: A depressão Kristin entra em Portugal continental. O Centro e o Oeste são as primeiras regiões a sentir a fúria do vento, com rajadas que ultrapassaram os recordes históricos.
1 de fevereiro: O balanço é negro. A E-Redes reporta 159 mil clientes sem luz. O distrito de Leiria é o epicentro do desastre, com 116 mil habitações às escuras. São mobilizados helicópteros e drones para avaliar os danos.
4 de fevereiro: Especialistas e o Governo admitem que o impacto económico pode superar os dois mil milhões de euros. Agricultores e empresas começam a reportar prejuízos catastróficos.
10 de fevereiro: O número de clientes sem energia desce para 35 mil. A REN e a E-Redes admitem que a reconstrução é complexa: há mais de 5.800 postes danificados e quilómetros de linhas de alta tensão no chão.
15 de fevereiro: Termina o estado de calamidade em 68 concelhos. O balanço de vítimas mortais sobe para 16 pessoas, vítimas diretas das depressões Kristin, Leonardo e Marta.
16 de fevereiro (Hoje): Pelas 08h00, 11 mil clientes permanecem sem eletricidade. A prioridade máxima mantém-se no distrito de Leiria e em zonas isoladas de Santarém e Coimbra.

Um cenário sem precedentes: “Danos que não têm paralelo”

A E-Redes foi clara ao afirmar que os impactos da Kristin “não têm paralelo com qualquer outro regime perturbado sentido em Portugal continental”. Não se tratou apenas de cabos partidos; subestações inteiras foram inundadas ou destruídas por quedas de árvores de grande porte. No total, mais de 6.300 quilómetros de rede foram afetados.
A situação é particularmente grave nas zonas rurais, onde a orografia do terreno e os destroços acumulados impedem o acesso das carrinhas de reparação. Em muitos locais, a solução tem passado pela instalação de geradores de grande porte para alimentar hospitais, lares e sedes de concelho.

Outros casos que marcaram Portugal

A memória dos portugueses remete imediatamente para outros episódios de destruição. Recordamos a Tempestade Leslie em 2018, que também deixou o distrito de Coimbra e Leiria em estado de sítio, ou as cheias históricas de Lisboa em 2022. No entanto, a Kristin distingue-se pela duração do corte de serviços básicos, assemelhando-se mais aos efeitos do Furacão Lorenzo nos Açores em termos de danos infraestruturais.

O que fazer se ainda estiver sem luz?

As autoridades reforçam o apelo à segurança. Se encontrar cabos elétricos caídos na via pública, não se aproxime.

– Reporte imediatamente à E-Redes através do número 800 506 506.
– Utilize o Balcão Digital da operadora para atualizações em tempo real.
– Mantenha aparelhos eletrónicos desligados da tomada até que a estabilidade da rede seja confirmada.

O país começa agora a longa fase de reconstrução, mas para 11 mil famílias, a prioridade continua a ser uma: o regresso do bem essencial que é a luz elétrica.

Luís Martins; WiN

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