Consumo de drogas em Portugal: Lisboa e Porto registam descida e Almada contraria tendência
Os dados mais recentes sobre a análise de águas residuais em Portugal revelam uma quebra no consumo de estupefacientes nas duas maiores cidades do país. Em sentido inverso, Almada destaca-se com um aumento no uso de várias substâncias ilícitas em 2024/25.
O retrato do consumo de drogas em Portugal em 2024 e no início de 2025 apresenta sinais de mudança. Segundo o último relatório do grupo europeu SCORE e da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA), Lisboa e Porto conseguiram inverter a tendência de crescimento.
Esta análise técnica, que monitoriza os resíduos metabólicos nas ETAR, permite perceber o que as populações consomem em tempo real. Enquanto a capital e a Invicta mostram sinais de contenção, Almada surge como o ponto de maior preocupação nas métricas mais recentes.
Almada em contraciclo com as grandes metrópoles
A cidade de Almada registou um aumento visível na concentração de substâncias ilícitas nas suas águas residuais. Este crescimento coloca a cidade da margem sul do Tejo sob o olhar atento das autoridades de saúde pública.
- • O consumo de canábis e cocaína subiu em Almada durante o último ano.
- • A cidade apresenta picos de consumo de estimulantes mais acentuados do que Lisboa em determinados períodos.
- • Esta tendência de subida contrasta diretamente com o alívio registado a norte e na capital.
- • Lisboa e Porto: a descida nos indicadores de consumo
Lisboa e Porto, historicamente os principais focos de consumo, apresentam agora números mais baixos. No Porto, a redução no consumo de canábis foi particularmente expressiva, caindo para quase metade dos valores registados em anos anteriores.
- • Lisboa mantém-se como centro de consumo diversificado, mas com uma trajetória descendente em 2024.
- • O Porto registou uma das maiores quebras nacionais na presença de resíduos de estupefacientes.
- • Ambas as cidades mostram uma estabilização ou descida no uso de cocaína face ao período homólogo.
O desafio persistente do MDMA
Apesar das descidas gerais em Lisboa e no Porto, o MDMA (ecstasy) continua a ser uma exceção que preocupa os especialistas. Portugal continua a figurar entre os países europeus com maior presença desta substância nas águas.
- • O uso de ecstasy continua muito associado à vida noturna e aos fins de semana.
- • Mesmo com a descida noutras drogas, o MDMA mantém uma presença resiliente em todas as cidades estudadas.
- • O estudo europeu alerta para a elevada pureza destas substâncias no mercado atual.
A monitorização das águas residuais serve como um aviso precoce para as equipas de intervenção no terreno. Estes dados confirmam que a realidade do consumo é dinâmica e que Almada exige agora um reforço das estratégias de prevenção e redução de danos.