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Defesa diz que réus do alegado atentado contra PR angolano estão em risco

A defesa dos 37 ex-militares angolanos que estão a ser julgados por tentativa de atentado contra o Presidente da República denunciou hoje que “elementos desconhecidos” alegadamente “introduzidos” na cadeia Comarca de Viana, Luanda, “atentaram” contra a vida dos réus.

Luanda, 08 mar (Lusa) – A defesa dos 37 ex-militares angolanos que estão a ser julgados por tentativa de atentado contra o Presidente da República denunciou hoje que “elementos desconhecidos” alegadamente “introduzidos” na cadeia Comarca de Viana, Luanda, “atentaram” contra a vida dos réus.


A informação foi prestada hoje pelo advogado Sebastião Assurreira, que falou em “tentativa de esfaqueamento” de que foi alvo um dos elementos detidos, em julgamento no tribunal de Luanda, temendo pela integridade física da maior parte dos réus deste processo, cuja leitura da sentença está agendada para 15 de março.


“Isto aconteceu no último domingo, com o réu Paulo Lukamba, que escapou a ser esfaqueado por elementos estranhos introduzidos na penitenciária. E foram avisados de que correm o risco de serem mortos lá mesmo no estabelecimento prisional de Viana”, denunciou o advogado, em declarações à Lusa.


Diante da situação, acrescentou que os réus, em prisão preventiva há cerca de um ano, foram orientados pela defesa a não permanecerem em locais isolados, para evitar outros “ataques” do género, situação que os advogados pretendem averiguar esta quinta-feira, junto da direção da Cadeia Comarca de Viana.


“Quase todos os réus estão em risco e eu orientei que não ficassem isolados tal como aconteceu com o réu Paulo Lukamba, que só não foi esfaqueado porque o seu companheiro surgiu no momento. As forças prisionais não deram nenhuma informação, daí que na quinta-feira vamo-nos descolar ao estabelecimento prisional para aferir o que se passou de facto”, acrescentou.


O julgamento deste caso teve início a 02 de dezembro, com a acusação promovida pelo Ministério Público a sustentar que o grupo de acusados “era bastante organizado militarmente e que recrutavam os ex-militares” da UNITA “com o objetivo de atentarem contra o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e tomarem o poder a força com recurso a armas de fogo, catanas e ainda de métodos feiticistas”.


O Ministério Público angolano pediu em fevereiro a condenação de 30 dos réus com penas de seis a oito anos e meio de prisão efetiva e absolvição de quatro réus por insuficiência de provas.


São na sua maioria militares desmobilizados das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), braço militar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), durante a guerra civil, que terminou em 2002, e estão a ser acusados de associação de malfeitores, posse ilegal de armas e atentado contra o Presidente da República, na forma frustrada, previsto para a madrugada de 31 de janeiro de 2016.


Acusações que são refutadas pela defesa, que refere que a única mobilização que os acusados fizeram foi para uma manifestação pacífica para reclamar a não-inserção na Caixa Social das Forças Armadas Angolanas, “e não atentar contra o Presidente da República”.



DYAS // EL

By Impala News / Lusa

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